terça-feira, 20 de dezembro de 2016

NÃO DIGAM QUE SÓ FALEI DE FLORES


Nunca me envaideci da estranha ideologia
que me apraz da tortura lúdica sem dores
dos meus amores não desfeitos da magia.
E não venham dizer que só falei de flores!

Naqueles tempos nossa arma era a poesia
que persuadia o algoz a nos dever favores
mercê do vinho envenenado que eu servia
e não venham dizer que só falei de flores!

Não era permitido andar em pensamentos
sob suspeita de quaisquer ressentimentos
e não venham dizer que só falei de flores!

Disse de nós – a prostituta envergonhada
dos poetas proscritos na alma desarmada
e não venham dizer que só falei de flores!


Afonso Estebanez

domingo, 18 de dezembro de 2016

FLAUTA DOCE



Teu amor me vem e toca
como flauta o entardecer
de alguma aurora remota
que ainda sonha renascer.

E me sonhas como flauta
que reinventa o alvorecer
tocando o sonho de volta 
na canção do amanhecer.

Tu me fazes a alma doce
como se minh’alma fosse 
um prenúncio de desejo...

E minh’alma enamorada
vai no lume da alvorada
ao encontro de teu beijo...

Afonso Estebanez
AMANHÃ DE MANHÃ...


Eu te darei meu infinito
em que deixes no meu grito
uma cantiga tão pura
que pareça mais ternura
do que o teu amor aflito...

E eu te desejo corpo aberto
como o céu sobre o deserto
de meu sonho mais contrito...

Como se fosse uma agonia
ou uma simples sinfonia
de teu amor dormindo
em mim...
 
Como uma rosa enlunada
da minha parte plantada
na beira do teu
jardim... 

Afonso Estebanez

sábado, 17 de dezembro de 2016

SONETO PARA NAVEGAR

Há um tempo na vida que supomos
ter vencido sem trauma nem feridas
olvidando o sangrar das despedidas
sofridas nos poentes dos outonos...

E há um tempo de rosas renascidas
dos áridos desertos que nós somos
não obstante o estio vão os pomos
adoçando o penar de nossas vidas!

Ainda há um tempo que a saudade
como um rio que chora de piedade
nosso pranto carrega para o mar...

E vai além o nosso amor profundo
cantando no crepúsculo do mundo
a canção que a razão faz navegar!

Afonso Estebanez 
MEU HINO NACIONAL DE AMOR

Nas alvas pétalas de rosas que me envias
reescrevo os versos amorosos que te dei.
Teu coração relembra enquanto tu recrias
os afetos dos versos que ainda escreverei.

Apraz a alma que a alvorada de teus dias
renasça da esperança com que te sonhei:
com o encantar-te o coração das alegrias
de uma rainha que se encanta de seu rei.

Aprendi a escrever no topo da esperança
hasteando versos na colina da lembrança
do jardineiro que não sabe de outra flor...

E assim das pétalas da minha rosa única
os versos ao amor me servirão de túnica
e tu! Serás meu hino nacional de amor!...

Afonso Estebanez

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

FICTA CONFESSIO

Além de um véu diáfano de luz
jaz inerte minh’alma sepultada
num afeto que ainda me seduz
no êxtase da carne despertada.
Jaz o cio que ainda me conduz
à flora íntima de minha amada
que se despe do látego da cruz
e da veste da vida consumada.
Ela se louva de contentamento
e ritualiza no meu pensamento
este culto amoroso do degredo.
Os desejos estão adormecidos,
mas escuto da lira dos sentidos
soar o amor eterno do segredo.

Afonso Estebanez

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

AMIGOS PARA SEMPRE...



Pai, vem aqui e vê se estou dormindo.
E observa também se estou sonhando 
pois teu beijo de quando estás saindo 
me faz sonhar que tu estás chegando.

Pai! Estou certo de que estás partindo
como quem na verdade está voltando
como as manhãs dos dias de domingo
vivendo de estar sempre regressando.

Revejo aquela foto em preto e branco
meu colo era na ponte de teus braços
os laços do amor pródigo que eu quis. 

Amigos para sempre, pai! No encanto
de ainda hoje sentir dos teus abraços 
traços do amor que ainda me faz feliz..

Afonso Estebanez

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

FICTA CONFESSIO


Além de um véu diáfano de luz
jaz inerte minh’alma sepultada
num afeto que ainda me seduz
no êxtase da carne despertada.

Jaz o cio que ainda me conduz
à flora íntima de minha amada
que se despe do látego da cruz
e da veste da vida consumada.

Ela se louva de contentamento
e ritualiza no meu pensamento
este culto amoroso do degredo.

Os desejos estão adormecidos,
mas escuto da lira dos sentidos
soar o amor eterno do segredo.

Afonso Estebanez
EU SEI QUANDO TU VENS


Não preciso sondar os pensamentos
nem consultar meu vasto coração
para saber os dias e os momentos
em que me vens trazer consolação...

A mim me basta olhar pela janela
e abraçar a manhã no meu jardim
pois sei que a claridade que vem dela
é a luz do teu amor dentro de mim...

Deixo a brisa tocar a minha face
ouço as aves que vêm me visitar
e sei de cada rosa que renasce
o teu instante eterno de chegar...

Converso com o vento no telhado
onde o tempo costuma te esperar
de um futuro presente antecipado
por anjos que me vêm te anunciar...

No canteiro de beijos e jacintos
o odor suave de uma flor qualquer
inflama de desejos meus instintos
famintos de teu corpo de mulher...

Então eu sempre sei quando tu vens
sem que precises avisar-me quando...
O amor proclama quando tu me tens
e me prepara quando estás chegando.

Afonso Estebanez 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

LEMBRANÇAS DE PAQUETÁ


Paquetá! – aqui estou de face revelada
ao fado de rever-te se ora me destinas
tua história de amor e glória recontada
no diário natural de tuas obras-primas.

Tenho saudade da saudade antecipada
que já sentia da canção das casuarinas
ao desmaiar no alvor da lua repousada
a luz do dia à flor das águas cristalinas.

Paquetá! – infinita luz entre dez milhas
de auroras e crepúsculos tintos de mel
de flor de flamboyant e banhos de luar.

Esmeralda pendente do colar das ilhas,
parte de um paraíso que restou do céu
d’algum éden celeste que caiu no mar.

Afonso Estebanez 

domingo, 11 de dezembro de 2016

PASTOREIO I

Depois que aqui for deixado
e todos tiverem ido
vou ser vento libertado
pelas mãos dos desvalidos
espalhando flor e pólen
no solo fertilizado
com o pranto dos oprimidos.

Vou soltar as estribeiras
cavalgar nuvens em pêlo
e aboiar as corredeiras
de meus rios represados.
Vou montar a liberdade
fingida das carpideiras
na pena dos condenados.

Sob os lábios comprimidos
dente por dente calado
olho por olho cerrado
na masmorra dos sentidos.
Vou virar redemoinhos
e girar pelos caminhos
como pássaros banidos.

Meus sonhos pagens de ninfas
luzes sombras sobre os lagos
prado em flor de claras tintas
e mistérios desvendados.
Vou apascentar meus mortos
na paz de ovelhas famintas
entre lobos saciados.


Afonso Estebanez Stael
PASTOREIO II
A viagem de tua alma
terá como roteiro
minha alma de menino.
Teus pés caminharão
pelos meus pés descalços
sobre os liquens e seixos
dos leitos dos riachos.
Raios de sol surgirão da campina
como pássaros das águas de coral.
Suas asas de luz vibrarão na manhã
como brisa entreabrindo janelas
esparsas nas sombras fugidias...
Percorreremos os rumos serenos
das águas fluentes e amenas
das fontes brotadas na relva
como flautas tocadas a esmo...
Abandonaremos por vezes o curso
dos rios e navegaremos o campo
como barcos de nuvens embriagadas
de ventos repentinos.
Iremos para além de onde
nada mais exista
qual pensamento obstinado
num gozo sem motivo.
Reconheceremos rostos amigos
lembrar-nos-emos de coisas esquecidas
e nossos olhos se tocarão num sorriso
sem sofrimento como plácidas mãos 
que compartilham pão e vinho 
num velho convívio,,,

Afonso Estebanez Stael

PASTOREIO III

Não é apenas sua voz que apascenta
meus dispersos rebanhos de sentidos
e faz correr dentro de mim as águas
das ribeiras com sorrisos flutuantes
de um concerto de flautas e flautins...
É também sua face voltada para onde
e como a flor se inclina ao ser tocada
pelas mãos da manhã em seu jardim...
Nem são apenas as veredas alunadas 
por seu destino de amada passageira
que fazem de mim pastor de sonhos...
São todos os caminhos contornados
pelos rebanhos de suas esperanças
reencontradas entre vales e colinas
e nos bosques tingidos de alfazema
para repousar a lembrança da volta...
Ah, os anjos desenhados no espaço
de seu corpo e os risos precursores
das palavras que nunca foram ditas...
É esperança que só o adeus revela
quando o seu coração agita a alma
para alcançar os sonhos fugidios...
Pássaro liberto pelas mãos da vida
borboleta com sua dimensão exata
desse perder-se sem ficar perdida...
Afonso Estebanez Stael
PASTOREIO IV

Eu preciso apascentar os teus cabelos
e beijar com os lábios da brisa tua face
eu preciso iluminar o lado oculto da lua 
de teu corpo e denunciar a descoberta 
do mais fértil planeta do teu coração...

Edificar com a lua teu quarto de dormir
entre rosas e gérberas sobre o teu leito
de amanhecer com as canções do mar..

E vou permitir que a luz do sol se deite
como aurora cansada de amanhecer... 

E, finalmente, vou esquecer de sonhar
que você foi o meu bom-dia prometido
como uma orquídea na beira do jardim 
que foi cúmplice de meu sonho casual
despertado neste cafezinho da manhã
de nossa vida...

E nunca mais tu me dirás um até logo,
nem quando necessária a despedida...

Afonso Estebanez
A MAGIA DA EXPRESSÃO LITERÁRIA
OFICINA – MÓDULO 08
DA ARTE DE ESCREVER COM ESTILO
*UM ATRIBUTO DA INDIVIDUALIDADE HUMANA*


“O MITO DA CAVERNA”. Todos conhecemos a parábola “O Mito da Caverna”, também chamada de “Alegoria da Caverna”, escrita por Platão (428-347), encontradiça na obra intitulada “A República” (Livro VII), de autoria do filósofo grego. Trata-se da exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona ao nos impedir de alcançar a luz da verdade. Pode ser uma exemplificação de COMO PODEMOS SUPERAR O MEDO DE ESCREVER, cujo destino é o alcance da libertação ATRAVÉS DA ATITUDE DA ALMA HUMANA.

Segundo relato de Platão, havia uma caverna separada do mundo exterior por um muro enorme, mas que continha uma pequena passagem que permitia a entrada da luz exterior. Seres humanos viviam ali como prisioneiros desde o nascimento, geração após geração, acorrentados e forçados a enxergar apenas a parede do fundo da caverna, sem que jamais tivessem visto o mundo exterior NEM A LUZ DO SOL. Uma réstia da luz externa, que passava pelo orifício do muro, iluminava o espaço habitado pelos prisioneiros, fazendo com que as coisas que se passavam no mundo exterior fossem projetadas como sombras na parede. Os habitantes da caverna JULGAVAM QUE AS SOMBRAS FOSSEM A MAIS PURA VERDADE. Certo dia, um dos prisioneiros resolveu empreender fuga da caverna, fabricando um instrumento com o qual quebrou os grilhões e escalou o muro, numa ATITUDE pessoal de muita coragem. Saiu da caverna e, no primeiro instante, ficou totalmente cego pela luminosidade da luz do sol, com a qual seus olhos não estavam acostumados, mas pouco a pouco se habituaram à luz, através da qual começaram a VER O MUNDO como ele era. O prisioneiro ficou ESPANTADO e, ao mesmo tempo, CHOCADO de ver as PRÓPRIAS COISAS, descobrindo que em sua prisão via apenas SOMBRAS e REFLEXOS. Desejou ficar longe da caverna, mas resolveu voltar para LIBERTAR os outros, avisando-lhes sobre o verdadeiro mundo. E, mesmo assim, foi desacreditado pelos demais que, incrédulos, preferiram manter suas idéias anteriores.

CONCLUI-SE QUE: é muito mais cômodo para nós apenas receber e aceitar tudo o que nos é mostrado como se fosse realmente verdade. Com isso, passamos a ter ideias errôneas e a formar opiniões distorcidas ou equivocadas sobre a maioria das coisas e fatos que cercam nossas vidas, sem que percebamos que estamos sendo manipulados para enxergar um mundo diferente do real. Ao aceitarmos essa condição, perdemos a oportunidade de conhecer a LIBERDADE, e o único jeito de alcançá-la é buscando a VERDADE dentro de nós mesmos, através de uma MANIFESTAÇÃO DE VONTADE COMPATÍVEL COM A ATITUDE DA ALMA HUMANA, uma atitude que nos liberte das influências que aceitamos sofrer, assim como o prisioneiro das trevas do mito de Platão: sendo capazes de acreditar que muitas vezes esse livramento está dentro de nós mesmos.

Assim, a “ARTE DE ESCREVER COM ESTILO” seria um atributo da individualidade humana, uma regra geral de libertação de uma visão estética da vida, segundo o processo natural do conhecimento humano. Mas a “ARTE DE ESCREVER COM ESTILO PESSOAL PRÓPRIO”, isto é – definitivamente – uma regra individual de libertação de uma visão estética da vida, através da expressão linguística peculiar a cada um. Neste contexto, a “POESIA” que existe dentro de cada um de nós se manifesta apenas como reflexo interior da luz, tal como no ‘mito platônico da caverna’. Mas se a poesia se liberta através da “ATITUDE” do poeta, assume a forma de “POEMA” e reassume a sua condição de expressão da verdade objetiva do mundo exterior. Seja como for, todo autor traz na escrita um “ESTILO”. Pode não ser definido ‘tão logo’ como ‘estilo pessoal próprio’, posto que é uma ‘experiência de libertação’ da individualidade. Mas é um ‘estilo’, um ‘produto da verdade’ do ponto de vista da materialidade da obra.

Neste passo, não há obra de arte desprovida de estilo. Conseqüentemente, todo poema tem um estilo. Quanto à sua identificação, espécie, qualificação ou quantificação no mundo artístico, não é matéria de que nos ocuparemos. De tais particularidades, ocupa-se a estilística. Infinito é o número dos autores que, no curso da história da cultura humana, entregaram-se aos estudos sistemáticos e analíticos de questão tão controvertida, a envolver retórica, poética, arte, ciência, literatura, epistemologia, justiça, virtude, política, educação, filosofia e militarismo, desde a Academia de Atenas (388 a. C.) com Platão, Sócrates e Aristóteles, até os dias de hoje, época em que a visão dominante de “ESTILO”, na linguística do séc. XX, pode ser descrita, segundo Birch (1998, p. 995), como “[...] a soma das características linguísticas que distinguem um texto de outro. E o que identifica a ‘ESTILÍSTICA’ como disciplina preocupada com a teoria e análise do estilo são motivações teóricas e metodológicas diferentes, que determinam quais características linguísticas em um determinado texto são adequadas para análise e quais não são. É uma estilística preocupada com a variação no uso da linguagem, ou seja, com a escolha analítica de seus termos (…)”.

Hoje, portanto, o termo ‘ESTILO’ passou a evocar, não mais o instrumento de ferro pontudo nas mãos de um velho sábio grego ou romano – o estilete – com que escrevia ele em tábuas enceradas. Estilo, na era moderna, passou a evocar o PRÓPRIO ESCRITO. Tem sentido figurado ou metafórico. De PRODUTO, passou a CONCEPÇÃO, a uma FEIÇÃO ESPECIAL. E apresenta-se nos mais diversificados usos: ‘estilo arquitetônico’, ‘estilo oratório’, ‘dança estilizada’, ‘dançarino sem estilo’, ‘estilo livre’, ‘estilo acadêmico’, ‘estilo apocalíptico’, ‘estilo asiático’, ‘estilo de jogo’, ‘estilo de borda’, ‘estilo de linha’, ‘estilo de tipos’, ‘estilo didático’, ‘estilo epistolar’, ‘estilo familiar’, ‘estilo clássico’, ‘estilo forense’, ‘estilo nobre’, ‘estilo vulgar’, ‘estilo ‘rebuscado’, ‘estilo rococó’, ‘estilo vicioso’, ‘estilo temperado’. Mas também é “ESTILO LITERÁRIO”: CARÁTER de uma produção artística de certa época ou certo povo, uma MANEIRA ESPECIAL de exprimir os pensamentos, falando ou escrevendo, uma HABILIDADE DISTINTA de compor, de pintar ou de esculpir de cada um.

Cada autor, por isso mesmo, ESTETA ou NÃO, impõe, no conteúdo de sua obra, algo de si próprio. Essa MANEIRA PESSOAL de expressão perceptiva ou imaginativa do autor é o ESTILO. É o que permite seja a obra sentida mais sensual, mais plástica, mais romântica, mais lírica, mais espiritualista. Não deve o estilo, entretanto, ser inteiramente livre, a ponto de submeter a obra artística a uma conceituação crítica que a classifique como produto de mera leviandade literária ou de anarquia linguística.  De um modo ou de outro, o estilo está condicionado a determinados fatores, para que seja inteligível e passe à posteridade mediante a aprovação do leitor e o reconhecimento público.

Portanto, na composição de um texto com propósito literário, devem ser observadas, em nome da arte de escrever, as QUALIDADES DE ESTILO, consubstanciadas – segundo orientação do já citado professor José Oiticica in Manual de Estilo – na ‘CORREÇÃO’, ‘CONCISÃO’, ‘CLAREZA’, ‘HARMONIA’, ‘ORIGINALIDADE’ e ‘VIGOR’ da linguagem literária – o que envolve precedentes estilísticos artisticamente privilegiados como: FORMA (materialidade de expressão), TEMA (motivo e núcleo ideativo) e RITMO (metrificação, cadência e musicalidade). Entre outros, estes assuntos serão objeto de nossos próximos módulos.

 Sobre a matéria em destaque neste módulo (08), porém, queremos destacar aqui a observação abalizada do notável escritor e artista visual catarinense *Tchello d'Barros, que advertiu durante entrevista concedida no XVI Congresso Brasileiro de Poesia, realizado em 2008 no palco cultural de Bento Gonçalves/RS: “Alguns teóricos são radicais ao dizer que não existe poema sem  o chamado ritmo. Seria o ritmo a base fundamental do poema. A metrificação é uma decorrência do ritmo. Aliás alguns defendem que deve  haver algum tipo de métrica mesmo em versos livres. Já outros, dizem que o  tema é a coisa mais importante a se considerar num texto que se pretende  ser um poema. *James Joyce privilegiou o estilo e a linguagem.  *Jorge Luis Borges apostava nas metáforas. Alguns puristas defendem a forma  - as formas fixas - como base segura para se escrever um poema. Penso que estes são alguns dos elementos com os quais o poeta deve lidar.  O mais importante talvez seja a possibilidade de alguém conseguir no meio  disso tudo encontrar sua voz pessoal, seu estilo único (...)”, numa “escrita peculiar e autoral” (asteriscos nossos).

*Tchello d'Barros (Brunópolis/SC, 1967) é escritor, artista visual e viajante. Residiu em 12 cidades, sendo 15 anos em Blumenau/SC, onde iniciou a carreira artística. Percorreu 20 países em constantes pesquisas na área cultural e desde 2004 está radicado em Maceió/AL, onde produz obras em desenho, pintura, infogravura, fotografia, instalação e poesia visual. Publica textos regularmente em jornais, revistas, sites e eventualmente ministra palestras, oficinas literárias e cursos de desenho.

*James Augustine Aloysius Joyce (Dublin, 2 de Fevereiro de 1882Zurique, Suíça, 13 de Janeiro de 1941) foi um escritor irlandês expatriado. É amplamente considerado um dos autores de maior relevância do século XX. Suas obras mais conhecidas são o volume de contos Dublinenses (1914) e os romances Retrato do Artista Quando Jovem (1916), Ulisses (1922) e Finnegans Wake (1939) - o que se poderia considerar um "cânone joyceano".
 *Jorge Luis Borges Acevedo (Buenos Aires, 24 de Agosto de 1899Genebra, 14 de Junho de 1986) foi um escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta argentino mundialmente conhecido por seus contos e histórias curtas. Ele nasceu, depois de morrer, porque ele viu, que seu sonho era próspero. E nunca mais voltou.


Afonso Estebanez

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O POETA E A FLOR


Sinto-me, por mim e por ti, 
estar orbitando um planeta 
com minha única verdade: 
o amor! - diz o poeta à sua flor.

Tu sentes, por ti e por mim,
estar orbitando um planeta 
com tua única verdade: a flor!
- ao seu poeta diz o amor.

Mais do que pressentimento
é meu sentir-te dentro de mim,
é o teu sentir-me dentro de ti!
- diz-me a alma ao teu jardim.

Então és meu consentimento
para sonhar-me com teu amor
sem plantar-te o padecimento
do crepúsculo de minha flor !

Afonso Estebanez 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

SONETO À SOMBRA DE NIETZSCHE 


Hoje não quero nada de ninguém!
Nem compaixão, nem flores, nada enfim...
Tudo se esquece ou é ilusão. Porém,
eu sei que Deus vai-se lembrar de mim.

Passa o amor e fica esse desdém
nas sombras fugidias do meu fim...
Ah, pássaros que emigram para além
do amor que é gêmeo, mas não é afim...

Não quero nada. Nada! Nem lembrança
nem presente ou promessa ou esperança
nem vago instante que pareça festa...

Quero apenas que Deus me dê a graça
de brindar em silêncio numa taça
a glória de viver do que me resta!

Afonso Estebanez 

UM SONETO 
PARA AUGUSTO DOS ANJOS


Ser ou não ser é a questão da vida 
que a espécie fratricida desvendou
gerando a flor do bem numa ferida
que a gênese do mal jamais curou.

Quanta pena de mim chora fingida
como se fosse pranto o que penou. 
Mas é somente a dor compadecida
penando pela dor que não causou.

A luz que me acendia agora apaga
a mão que me feria inda me afaga
amor de bem-querer não é paixão.

Meu ser ainda é o lobo de meu ser
pela pátria não posso mais morrer
o amor, enterrem no meu coração.

Afonso Estebanez