sábado, 19 de agosto de 2017

DO PRIMEIRO AMOR


Já adormeci meus últimos sentidos
já acortinei meus velhos aposentos
mas não esqueço os dias exauridos
à véspera de meus encantamentos.

E até hoje caminho entre quimeras
nas cinzas das extintas primaveras
exumadas do pó dos pensamentos.

Meu calendário removeu setembro
de seu tempo infinito de esplendor
e dos amores só de um me lembro:
o que me deu a aurora de uma flor.

Vou violar meu portal de desalento
furtar de mim a flor daquele tempo
e devolvê-la ao meu primeiro amor.

Afonso Estebanez
(Peça lírica que dedico a minha irmã
Catarina Maria E. Stael
doce companhia mineira de minha
infância distraída– 19.08.2017)

domingo, 13 de agosto de 2017

TEMPOS MÁGICOS


Quão foram mágicos aqueles dias
em que do céu me vinhas abraçar
como deusa das minhas fantasias
onde tamanho amor vinha sonhar.

Com teu olhar de estrelas luzidias
vias minha alma para além do mar
num poente de aquarelas fugidias
que eu via do convés do teu olhar.

Não te lembrar seria um sacrilégio
da alma cativa de algum sortilégio
que só o amor consegue desfazer.

Agora quando já passado o tempo
ainda há sonho de contentamento
que me jubila de não te esquecer.


Afonso Estebanez
(Homenagem carinhosa a amiga
Maria de Lourdes Carvalho
que cativou minha admiração pelo
valor dedicado à minha poemática)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

AMOR DESABITADO


Preciso dissipar tantas lembranças
de castelos de amor não habitados
e povoar de nascentes esperanças
meu coração de sonhos saturados.

Urge que meus amores inventados
pareçam-me fugazes semelhanças
com estátuas de seres encantados
pela crença inocente das crianças.

Exumem de minh’alma a sensação
dos vendavais de amor no coração
desde quando viver não tinha estio.

É preciso que eu finde do meu jeito
sem flores de pesar dentro do peito
que Deus não deixa perecer vazio!

Afonso Estebanez
(09.08.2017 – 1º da convalescença)