quarta-feira, 22 de março de 2017

SONETO DA REMISSÃO


O anacronismo sempre foi uma bandeira
para os fleumáticos amantes da saudade,
a cortesã do saudosismo, a companheira
dos que perderam pela vida a mocidade.


Já não existem mais os pomos na videira
ainda imaturos consumidos por vaidade
e se admite então o quanto é verdadeira
a sintonia entre a velhice e a puberdade.


Nada se opõe a que viver seja passagem,
e que morrer se mostre parte da viagem
onde os idosos têm o ofício de aprendiz.


É imperioso o despojar-se dos passados
que melancólicos embora são versados
em impedir que a alma cante mais feliz.


Afonso Estebanez

Um comentário:

Regina Carvalho disse...

Amigo poeta, doce, terno Amigo da minha alma, senti teu poema puxando-me as orelhas porque sou assim mesmo. Mas não importa meu anacronismo se com ele me sinto EU, porém, bem que me dói! Como dói! O poema é belo, como a tua alma! Grata pela partilha, meu AMIGO!