sábado, 18 de março de 2017

A CASA DE ENGENHO


Essa casa de engenho abandonada
guarda um segredo trágico de amor,
fora o final de uma paixão sangrada
segundo um rude escrito sem autor.

Notava-se que a noite amedrontada
num silêncio embuçava a etérea dor
se a morte dos amantes foi tramada
sem que do amor restasse desertor.

Todos da casa então foram embora.
Hoje é jazigo onde só vem a aurora
despertar do veneno seus amantes.

Ô cenário de amor shakespeariano
que mata por prazer ou desengano
e morre por impulsos provocantes!

Afonso Estebanez

Um comentário:

Regina Carvalho disse...

Doeu! Minha alma sente assim quando fica tonta com a beleza do que vê, do que ouve, do que sente. A história de um amor assim como o de Romeu e Julieta faz chorar. Lindo poema, triste poema!