sábado, 8 de novembro de 2008

GRITO ABAFADO


GRITO ABAFADO

O meu grito é sufocado.
Não parece que é grito.
Parece um grito falado.
Mas ele nunca foi dito.

É a pedra sob as águas
é mágoa de sentimento
é um grito de palavras
retidas no pensamento.

Corpo a corpo desafia.
É faca que cai da mão.
É como pedra que afia
os punhais do coração.

Como resto de festins
sobrevive dos jejuns...
Ele é a fome de todos
e mesa farta de alguns.

Sob a mira dos fuzis
é muralha de granito.
Ressoa a bala no eco
e retorna como grito.

E se me tiram a voz
é daí que me revolto...
O que se fala calado
ecoa muito mais alto.

A. Estebanez

2 comentários:

francelina filipe disse...

lindo muito lindo cada um de nós tem um grito abafado que nunca pode sair, não deixes de gritar ainda que saibas que ninguém te escuta mas grita sempre

lusiene disse...

GRITAÍ

Gritaí para o silêncio
de teu âmago alvorecer
Gritai pára teu segredo,
não mais deixeis que o coração
venhar te ver,
na dor "amarga" que adoças o sonho
onde embalas teu melodiar menino
'aquele que guardou o ensaio
adolescente num pooente
mais vivante,
quando sentado a orla de um
mar longuínquo,
sentiste o suave melodiar
da brisa n'aquele mar
que outrora nublavá-se
e,
lá bem lá um pássaro ousou
pairar
fazendo teu silencio gritar
desabafando teu cantar
na canção
cujo rádio madrugada fêz sonatar.