Não vejo o dia de chegar o tempo
em que de rosas seja toda espera
como nos dias em que fico atento
e invento rosas para a primavera.
Não há deleites a não ser o alento
de ver o tempo regressar com ela
da doce esfera do contentamento
ao venturoso amor que regenera.
O amor da rosa que virá semente
do meu jardim secreto do oriente
para os canteiros rústicos do mar.
Talvez a vida seja o mar de rosas
que a despeito das vias arenosas
não se ferem nas pedras do luar.
Afonso Estebanez
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
PRIMEIRA ROSA DO ORIENTE
Há milênios construo entre ternuras
uma estrada de rosas que inauguras
em cada amanhecer de minha vida...
Assim, então, jamais sequei deserto
eis do teu sonho nunca me desperto
a não te ver ausente e adormecida...
Do Oriente ao Ocidente teu perfume
foi sempre a via etérea afeita e afim:
ao teu destino de ser meu queixume
em meus destinos de ser teu jardim.
Jardim da aurora que me fez a lume
lume da rosa de teu ventre em mim:
Rosa do Oriente que o amor resume
no amor das rosas com amor assim!
Afonso Estebanez
uma estrada de rosas que inauguras
em cada amanhecer de minha vida...
Assim, então, jamais sequei deserto
eis do teu sonho nunca me desperto
a não te ver ausente e adormecida...
Do Oriente ao Ocidente teu perfume
foi sempre a via etérea afeita e afim:
ao teu destino de ser meu queixume
em meus destinos de ser teu jardim.
Jardim da aurora que me fez a lume
lume da rosa de teu ventre em mim:
Rosa do Oriente que o amor resume
no amor das rosas com amor assim!
Afonso Estebanez
sábado, 14 de novembro de 2009
RANCORAMOROSAMENTE
Se tiveres que passar
pela porta de minha vida,
não o faças indiferentemente.
Faze-o rancoramorosamente
e deixa-me algo que pareça paz
ou coisa menos ou mais eterna
do que a aurora de um sorriso.
Se for uma hora de despedida
que seja vestida com a ternura
do arco-iris de purpurina
do colo de uma flor.
Deixa-me alguma coisa
como lembrança de partida.
Se possível, deixa-me o amor
martirizado pelo espinho
da extrema felicidade
com que (não mintas)
sempre sonhei.
Pelo tamanho da minha dor
talvez tu sintas o tamanho
do amor com que te amei...
Afonso Estebanez
pela porta de minha vida,
não o faças indiferentemente.
Faze-o rancoramorosamente
e deixa-me algo que pareça paz
ou coisa menos ou mais eterna
do que a aurora de um sorriso.
Se for uma hora de despedida
que seja vestida com a ternura
do arco-iris de purpurina
do colo de uma flor.
Deixa-me alguma coisa
como lembrança de partida.
Se possível, deixa-me o amor
martirizado pelo espinho
da extrema felicidade
com que (não mintas)
sempre sonhei.
Pelo tamanho da minha dor
talvez tu sintas o tamanho
do amor com que te amei...
Afonso Estebanez
MEU SER EM CONSTRUÇÃO
Os meus sonhos de criança
(andorinhas das campinas)
eu deixei na minha infância
entre as pedras das colinas
mas ficou o contentamento
de lembrar da voz do vento
nos bailados das cortinas...
De mim mesmo o lavrador
fui como o cabo da enxada
cujo horizonte era o chão.
Fui meu próprio professor,
e aprendi que toda escada
tem os passos da alvorada
para o ser em construção.
Aprendi a escrever versos
e a espalhar o azul no céu
feliz dos sonhos dispersos
entre as nuvens de papel.
Deus então fica com pena
e me sopra algum poema
com gosto de flor de mel.
Afonso Estebanez
(Para Julis Calderón d’Estéfan
*a minha mais feliz contradição humana*)
(andorinhas das campinas)
eu deixei na minha infância
entre as pedras das colinas
mas ficou o contentamento
de lembrar da voz do vento
nos bailados das cortinas...
De mim mesmo o lavrador
fui como o cabo da enxada
cujo horizonte era o chão.
Fui meu próprio professor,
e aprendi que toda escada
tem os passos da alvorada
para o ser em construção.
Aprendi a escrever versos
e a espalhar o azul no céu
feliz dos sonhos dispersos
entre as nuvens de papel.
Deus então fica com pena
e me sopra algum poema
com gosto de flor de mel.
Afonso Estebanez
(Para Julis Calderón d’Estéfan
*a minha mais feliz contradição humana*)
CORPO A CORPO
Na escalada de teu corpo
bem no cume das colinas
me descanso no conforto
com que tu me desatinas
num abismo de cavernas
com orifícios em chamas
nas profundezas eternas
onde sei que tu me amas
e que escalas minha vida
como flores transalpinas
como quem espera a lida
nas janelas das neblinas.
Afonso Estebanez
bem no cume das colinas
me descanso no conforto
com que tu me desatinas
num abismo de cavernas
com orifícios em chamas
nas profundezas eternas
onde sei que tu me amas
e que escalas minha vida
como flores transalpinas
como quem espera a lida
nas janelas das neblinas.
Afonso Estebanez
Canto Só
Canto Só
Chorei tanto
desencanto
que o canto
só por pena
se espantou
e do pranto
pelo quanto
por encanto
toda a pena
me levou...
Afonso Estebanez
Chorei tanto
desencanto
que o canto
só por pena
se espantou
e do pranto
pelo quanto
por encanto
toda a pena
me levou...
Afonso Estebanez
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