quarta-feira, 8 de agosto de 2012

CHUVA NO MOLHADO

BAILIA III

BAILIA – 3 Na angústia da insônia eu me conto minha vida e durmo de tédio... A noite acomoda-se à beira de um riacho e as águas cantam para ela uma canção remota... É assim que ainda me conto a história de minha vida escrita nas estrelas... A lua é o ponto final... Afonso Estebanez

BAILIA II

BAILIA - 2 Com um lenço branco tuas mãos acenam-me o primeiro adeus... Frágeis borboletas entre os arabescos da paz desatinada nas mãos trêmulas do vento... Com um lenço branco tuas mãos acenam-me o último adeus... Afonso Estebanez

BAILIA I

BAILIA - 1 O sol se põe em seu corpo e se trança em seus cabelos como arco-íris derramado em campos dourados de arroz.... Afonso Estebanez

BURACO NEGRO

ALEGRETO

BALA PERDIDA

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

POEMA ESCRITO NO CHÃO (ou soneto dos quinze anos)

UMA CANÇÃO PARA MATHËUS

UMA CANÇÃO PARA MATHËUS

Tu vens do amor divino que te espelha
num concerto de cânticos que acalma
meus inquietos crepúsculos de estrelas
que adormeceram na constelação
da alma...

Vens do anjo mensageiro que me avisa
– o senhor ancestral de meu segredo –
que teu ser múltiplo me traz na brisa
o sangue em que percorres meu amor
sem medo...

Sabes de mim como do mar o vento
como sabe os destinos o horizonte
do barqueiro... De meu contentamento
de ser ilha onde sonha o meu infante
marinheiro...

Tu vens do lado claro de meu ser
como um sonho remido de criança...
Quantas e quantas eras me restei
vivendo por viver no itinerário
da esperança...

Mas veio da canção que não se cala
na flauta o que não fala é o que me diz
e o que me diz é feito do mais terno
amor do jeito eterno do meu lado
mais feliz...

A. Estebanez

SER AMANTE...

SER AMANTE...

É esquecer o amor habitualmente aberto
a fim de que ela volte sempre que quiser
e tire essa impressão de coração deserto
que jaz inerte pelo amor de uma mulher.

Essa saudade que se dói ainda que perto
ou que por hábito se alegra quando quer
é essa euforia à toa num destino incerto
como a brisa que passa e volta se puder.

Ser amante é doar sem precisar de nada
como doa a manhã o abraço da alvorada
ao novo dia onde a esperança vai passar

tal como o vinho faz um cio permanente
para o prazer fluir dos vasos docemente
até que se prepare o amor para chegar.


A. Estebanez