quarta-feira, 5 de abril de 2017

LEGADO EM EXTINÇÃO


Relendo minhas cartas do passado
trocadas entre o amor e o coração,
percebo um outro estilo imoderado
declarando meu talho em extinção.

A despeito de antigo ou desbotado
meu caderno escolar detém noção
de que o amor começa ponderado
para depois queimar-se de paixão.

A idade foi levando meus carteiros
como a tinta aspirada dos tinteiros
da carta que não pude responder.

Quiçá meu coração ainda se sinta
tal como espécie afeta não extinta
com o instinto indomável de viver.

Afonso Estebanez
(Soneto que dedico a notável amiga e poetisa
Antônia Albuquerque
por reconhecimento do mérito na divulgação
de sua arte poética pelo país.
Em 05.04.2017
LEGADO EM EXTINÇÃO


Relendo minhas cartas do passado
trocadas entre o amor e o coração,
percebo um outro estilo imoderado
declarando meu talho em extinção.

A despeito de antigo ou desbotado
meu caderno escolar detém noção
de que o amor começa ponderado
para depois queimar-se de paixão.

A idade foi levando meus carteiros
como a tinta aspirada dos tinteiros
da carta que não pude responder.

Quiçá meu coração ainda se sinta
tal como espécie afeta não extinta
com o instinto indomável de viver.

Afonso Estebanez
(Soneto que dedico a notável amiga e poetisa
Antonia Albuquerque)
Em 05.04.2017
POEMETO PARA SOLANGE MALOSTO


Esse olhar de deusa grega
é teu,
mas todo o horizonte dele
é meu...
Eis que me chegas
com esse luar na fronte
cujo brilho é minha ponte
que de ti vai dar no céu...
Esse olhar de deusa grega
é teu,
mas todo o horizonte dele
é meu...

Afonso Estebanez Stael
(Em 13 de outubro de 2015)

terça-feira, 4 de abril de 2017

CELEBRAÇÃO A MARIA MADALENA


Compraz-nos conceber-te despertada
de um pesadelo adverso contra a vida
numa ascensão da alma contemplada
pela indulgência em ti tão pressentida.

Quanta lágrima a sós foi-te amargada
sem que essa dor se doesse dividida,
quanta angústia que agora repassada
não mingua mais tua alma pertencida.

Pertences aos templários da maestria
que em restaurada a graça da alegria
manténs-nos nosso amor no coração.

E apraz-nos que jamais sintas tal dor
depois da expressão de nosso amor,
que escrevo em talho de celebração!

Afonso Estebanez
(Dedicado a notável amiga
Maria Madalena Cigarán Schuck, minha mestra
de postura pessoal na internet, irmã e cunhada
de mistérios místicos não revelados e incomparável
vencedora recente de um combate travado entre
seu estado de saúde e sua alma e admirável vontade
de viver integrada ao dom maior da fraternidade).
Em 04.04.2017)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

MEU CAMINHEIRO


Meu caminheiro é como um andarilho
que para mas prossegue caminhando
e se eu morrer não sou um empecilho
o santo é fraco e eu continuo orando.


A noite é escura mas no céu há brilho
suave é o vento mas persiste uivando
meu caminheiro, um mero maltrapilho
aos olhos dos que choram festejando.


Meu caminheiro existe além do tempo
e se transporta ao sol no pensamento
aonde se chega como estar andando.


A qualquer hora o simples caminheiro
num campo santo hospedará primeiro
os revoltados que estarão chegando.


Afonso Estebanez

domingo, 2 de abril de 2017

ELEGIA PARA SÉRGIO MORO
(Em forma de soneto)


Temos direito de sagrar-te nosso herói
em salientando a tua estoica mocidade
hábil de ver que essa chaga que corrói
o solo pátrio é fruto vil da impunidade.

Ante a corrupção viral que desconstrói
és um guerreiro invicto pela probidade
contra a mazela pública do que destrói
os bens morais e éticos da sociedade.

Tens combatido a epidemia nas raízes
atenuando ao tempo nossas cicatrizes
adquiridas por lágrimas de indignação.

Fazes justiça à pátria com a dignidade
desenterrada do brejal da improbidade
pelo direito de aclamar-te nosso irmão!

Afonso Estebanez

sexta-feira, 31 de março de 2017

A SENTENÇA


Salomão certamente apraz-se proclamado
quando lança a primeira pedra o acusador:
‘...cometera um delito hediondo o acusado
ao despojar de honra a pátria, sem pudor’.

Consta que o réu é um canhoto rebaixado
por arcanjos promíscuos como um delator
Judas sem rosto que jamais foi enforcado
para poupar o abutre em frentes de terror.

Por indecência de perder-se de si mesmo
só por malícia de afundar a pátria a esmo
pelo desmonte da consciência nacional...

Mude-se a competência para Deus julgar
por tanto desamor que houver de avaliar,
e para sempre nos blindar de tanto mal...

Afonso Estebanez
DEPRESSÃO
O QUINTO CAVALEIRO


No apocalipse não restou descrito
o armagedom do quinto cavaleiro
o algoz cabal do espírito proscrito
no cárcere do gênio em cativeiro.

Transtorno catastrófico e maldito,
a mente abate quieto e traiçoeiro
e induz o ser humano o anticristo
a destruir-se em séquito ceifeiro.

Depressão é perder-se da alegria
do mago que se lembra da magia
e vive medicado com lembrança.

Ao espelho permita-se espedace,
não se renove a máscara da face
e se afligir só seja de esperança!

Afonso Estebanez

quinta-feira, 30 de março de 2017

PASTOREIO V


Numa vida eu fui pastor
noutra vida fui a ovelha
hoje sou como centelha
de dar paz ao desamor.
Pastor, eu tive o relento
ovelha, os fios do vento
com um sopro de calor.

Hoje sou meu jardineiro
cortejando a minha flor,
a quem dei o meu amor
na orla do meu canteiro.
Lá restei-me ao coração
que foi vinho e foi o pão
do convívio hospitaleiro.

E quando recorro ao fim
sobre o vazio dos meios
e seus meros devaneios
de rosa nascida em mim
vejo que nada é perfeito
ou talvez seja meu peito
algum canto de jardim...

Afonso Estebanez

quarta-feira, 29 de março de 2017

A MAGIA DA EXPRESSÃO LITERÁRIA
OFICINA – MODULAÇÃO INTERATIVA - 14
*A POESIA NO SANGUE DO UNIVERSO* 


O texto que ora privilegio – “A POESIA NO SANGUE DO UNIVERSO” - é afirmação de uma percepção incomum da poesia nos tempos atuais, merecendo ser lido, refletido, compartilhado e divulgado no âmbito das iniciativas para credenciamento da arte da poesia. Aproveito para levar o belo e oportuno texto de Sheilla Corrêa, por manifestação do grupo “Sulla Fernandes Poesia” para o blogger da Magia da Expressão Literária - oficina - ao qual espero se incorpore, bem como se integre à nossa página de natureza cultural. Fico agradecido ao grupo “Sulla Fernandes Poesia” pelo envio desta pérola!

 “A POESIA NO SANGUE DO UNIVERSO” POR SHEILA CORRÊA - “A Poesia é um vírus de sentimento, de percepção aguda, de energia premonitiva, que circula na veia do universo. E se infiltra às vezes como soda cáustica, carcomendo as hemáceas das certezas ideológicas, explodindo as plaquetas da manipulação dos espíritos, das vontades e das consciências. Ao Poeta, com a seringa na mão, não cabe controle, não cabem indicativos de comportamento; não adiantam sangrias para livrarem-se de sua contaminação. Poeta perturba a ordem no rebanho, simplesmente por não entender a linguagem do berrante. Ele brinca com o berrante. Usa-o como caneta para escrever poesia no capim. Espia curioso na boca do berrante, quebra-o em pedacinhos só para ver o que tem dentro. Poeta fica louco, como Holderline; se mata, como Mishima; xinga heróis da Pátria, como Benigna; expõe-se à violência e ao exílio, como os poetas palestinos. Sem nem saber por que razão faz isso. Faz porque faz. A minha grande pergunta para a sociedade é esta: E agora? A Modernidade Eletrônica chegou e ainda estamos aqui, riscando na pedra da alma. O que é que vocês vão fazer com a gente? Vão nos usar como brinquedinhos de controle remoto? Vão nos paralisar à guisa de símbolos midiáticos? Vão nos fragmentar para cabermos no site? Bom! Se vão fazer isso tudo, façam com cuidado, porque a gente tem vírus”.

Sheilla Corrêa
(Colaboração Interativa de “Sulla Fagundes Poesia”).

Afonso Estebanez
VIDENTE


Tudo claro como o raio
e simples como a serpente
evidente como a morte
que há na sorte da vidente.
A cruz à beira da estrada
porteira que não se move
o cantar das corredeiras
tão cansado me comove.

E meu corpo hirto na relva,
horto de eras ao relento
pensamentos nos abrigos
dos remoinhos do vento.
Cerca de arame farpado
e esse entulho no jardim
milho novo replantado
nas vertentes de alecrim.

Duas ovelhas no aprisco,
um cão magro na cadela
dois jacintos pendurados
nos dois lados da janela.
Tudo certo como a morte
esperando simplesmente
evidente quanto a sorte
desse escorte da vidente....

Afonso Estebanez

terça-feira, 28 de março de 2017

HAIKAIS


Do seio materno
goteja o leite aquecido...
Nascente de amor.

Querias um homem,
mas fazes de mim um deus
na cruz de teus braços.

Saciada de beijos,
entregas-me, enfim, a taça
do teu melhor vinho!

Soutien no leito...
Onde o refúgio dos pássaros
distantes do ninho?

Afonso Estebanez