domingo, 12 de fevereiro de 2017

AMOR SAPIENS


Sinto por ti
o instinto selvagem dos rios
que percorrem a orla dos campos
e se perdem nas densas florestas
como reflexos do sexo no corpo.

Por mais que tu insistas
em desvendar o curso de minhas águas
jamais saberás onde cantam as nascentes
nem onde arrulham os seixos das fontes
nem onde as vertentes
conversam com o vento...

Nunca saberás do meu concerto de flautas
nos bambuzais nem dos bailes nas ramagens
onde os pássaros inventam
a linguagem do amor...
Nem de onde vem nem para onde vai
a brisa que te afaga sem que te percebas
cativa de uma paixão pressentida...
Mas te resta a memória perdida
entre as cinzas de uma flor...

Por mais que tentes abrir as janelas
de minha vida, não verás senão fragmentos
de antigas auroras no crepúsculo de mim...
Ou de estrelas cadentes que se removeram
da via-láctea de meu destino desdobrado
em direção a horizonte nenhum...

Tudo o que sabes de mim
é o que pensas que sabes de mim.
Se me tiras o que te não dou, tiras somente
aquilo com que ficas. E o que tiras não é o amor
que permanece como o eco sufocado
na garganta da montanha...

Não podes tirar-me esse amor andarilho
que vaga noite e dia no meu vasto coração.
Não podes tomá-lo de meu peito!
Eu sou parte da comunhão dos pássaros
que tu apenas sabes de algum tempo
e nada mais...
Eu sou o reencontro
e sou o desencontro
e sou aonde vais...

Vejo as flores se abrindo para o sol
e as sombras que as acolhem, nada mais.
E falo com as reses à beira do caminho
e converso com as árvores e o vento
que me respondem quando passo
e os cumprimento...

É por ti, mas não de ti
esse pressentimento de estar em mim
um pastor de sonhos que se realizam
na canção de um regato entre folhagens
na pequenina flor cativa de um abismo
ou no múltiplo instante da germinação
das orquídeas que ornam meu jardim...

O que levas de mim não está naquilo
que tuas mãos alcançam!
E o que tuas mãos alcançam não está
na ânsia de alcançar...O que não levas
de mim é o que está consubstanciado
no incógnito perfume de uma sombra
ou no código não decifrado na memória
da arrebentação da brisa nos canaviais
ou dos sonhos que de manhã
já não te lembras mais...

Não é verdade o que te dizem
as palavras que eu te não disse.
O travesseiro que à noite dividimos
não guarda vestígios de meus sonhos emigrados.
Por trás de cada porta devassada de meu sono
há sempre outra ainda não ultrapassada
como horizontes sucessivos das manhãs
que o sol deixa intocadas...

E tu me amas como tens amado
a todos os teus amores através de mim...
Então eu sou o cordeiro de tuas culpas,
remidas na ternura onde germinam as sementes
que meus impulsos desesperados derramam
nas veredas secretas de tuas pastagens
de amor comprometido...

Tu me acolhes em tuas entranhas
e eu me vejo renascer num pomar de romãs
onde o canteiro de teu sangue ameniza
com flores de antecipada primavera
o outono de meu sonho não cumprido...

... E no entanto, sei tudo de ti
como sei de teus segredos obscuros
revelados através da escura sombra
de teus amotinados pesadelos...
Com quem andas, com quem te perdes
com quem te encontras
para te desencontrar...

Sei tudo de ti...
Como a luz do sol o sabe de sua flor
oculta em cada canto do jardim...
O meu amor contudo
é como o gamo assustado
que sempre procura o abrigo
nos bosques de teu ventre..


Ô, alcova que me aquece!
Vencido o imenso vale da noite,
emigrará nos claros raios da aurora
deixando a relva quente e macia
como lembrança de um sonho
que o tempo adormece...


Afonso Estebanez

sábado, 11 de fevereiro de 2017

LIBERDADE
Será liberdade
aquele voo de águia
de uma simples
folha seca?

Que poder tenho eu
sobre o dom da liberdade
de uma simples
borboleta?

Liberdade é assim:
sai o perfume da flor
mas a flor não sai
de mim...

Afonso Estebanez 
A MAGIA DA EXPRESSÃO LITERÁRIA
OFICINA – MODULAÇÃO INTERATIVA - 03
*AVALIAÇÃO INDIVIDUAL DE POEMA*


Queremos expressar nossos fraternais agradecimentos pela confiança que as amáveis considerações de nossos leitores representam. Todavia, além das orientações fornecidas por esta Oficina Literária, pouco mais podemos fazer em termos de avaliação individual de poemas ou quaisquer outros escritos do gênero, eventualmente remetidos para esta página. O motivo é a preservação da confiança e da igualdade de tratamento entre nós e os interessados interagentes. Procuramos, o quanto possível, ficar alheios ao mais superficial comentário de conteúdo crítico. Para avaliar o conteúdo artístico de uma obra de arte, nada tão bizarro quanto as considerações da crítica por vezes arrogante, na maioria das vezes impertinentes. Nem tudo se consegue exprimir com palavras emprestadas. Há espaços ocultos na alma ou no espírito de quem escreve que as expressões da crítica não podem penetrar. Eis porque o melhor avaliador literário da obra de um autor é o próprio autor. Para nós, qualquer escrito com intenções poéticas, é um poema em potencial... Como qualquer escrito em que as palavras se juntam e se abraçam sorrindo, é um poema estrutural... Nesta oportunidade, queremos destacar com enorme orgulho, o conceito de “A MISSÃO DO ARTISTA” segundo a artista polivalente *Mirian Warttusc: "A missão do artista é dar sentido à uma composição, colocando ali a própria alma, para fazer de sua obra algo notável, tão real que assombre, que encante, que o transforme em um imortal pela beleza e perfeição de sua criação" (Mìrian Warttusch).

*Mírian Warttusch, nome artístico de uma escritora de alma sensível e apaixonada que afirma já ter nascido poeta e sonhadora.
São Paulo a viu nascer na década de 40, no bairro de Tatuapé, São Paulo, Brasil, onde paisagens magníficas como as da Mata Paula Souza estavam preservadas e intocadas em suas belezas naturais e serviram de cenário para sua infância de sonhos poéticos e inesquecíveis.

Como compositora e escritora ambientalista, criou canções, histórias, lendas, músicas e peças de teatro para o seu Programa Cultural, Planeta Azul e Verde, que em sua visita as escolas, agrega crianças e jovens para serem garbosos Soldadinhos da Natureza, conscientizando, plantando árvores e distribuindo sementes brasileiras. Projetos que fazem parte desse trabalho: Reflorestar, Soldadinhos da Natureza, Pássaros Migradores, Eu sou uma Lenda Brasileira, Soldados do Fogo, Mãe Natureza Visita Rios Brasileiros, Animais em Extinção (Primeiro CD foca Animais em Extinção), Escola e Ecologia, Plantar e Colher e muitos outros. Mírian personifica Mãe Natureza em suas apresentações. Na área de literatura, é patronesse e autora de todos os hinos das Academias Estudantis de Letras nas escolas, em exaltação aos grandes imortais da literatura. A autora já está na edição do seu terceiro Cd em exaltação aos grandes imortais, “SINFONIA POÉTICA”.

Afonso Estebanez
HAIKAI 


Virtudes humanas
são como os frutos mais altos...
Colhem-se a pedradas!

Afonso Estebanez
A MAGIA DA EXPRESSÃO LITERÁRIA
OFICINA – MODULAÇÃO INTERATIVA - 02
*QUEBRADO O TABU DAS FORMAS FIXAS*


Afirmamos no módulo 01 ser ‘... sensato que nos atenhamos (...) ao ofício da materialização linguística da poesia e da elucidação de alguns de seus mistérios, através do culto à cumplicidade, à lealdade e à simplicidade de expressão poética’, e garantimos, ainda, não existir ‘metodologia ou cartilha específica para o ofício de poeta’. Firme-se, pois, coerência com objetivo inicialmente traçado no frontispício desta página, seja o de ‘prestar auxílio cultural (...) aos interessados em iniciar na arte da criação literária no âmbito da poesia, através de estímulos especiais que visem à desobstrução do medo resultante da inibição, da timidez, da discriminação de qualquer espécie e de outros fatores de exclusão dos indivíduos do processo de autoafirmação sociocultural’. Temos, pois, que os valores conceituais das ‘regras’ ou ‘técnicas’ das chamadas ‘formas fixas’ não se incluem mais no elenco da matéria prima indispensável à criação artística ou na obtenção do êxtase estético de uma obra literária no mundo contemporâneo, também dito ‘atemporal’. Muitos intelectuais ainda nos servimos de tais recursos e valores, porque eles, por outro lado, nunca perderam a eficácia como estimulantes em face dos desafios da arte através dos tempos. Mas as diversas ‘vanguardas modernistas’ da história da literatura conseguiram ‘desnaturalizar’ esse gênero de produção artística, abrindo novos horizontes antes negligenciados. E esse fenômeno ‘evolutivo’ ocorreu acentuadamente no campo da poesia: do século XII (Poesia Provençal, Dante Alighieri e Francesco Petrarca) até o século XVII, consolidaram-se diversas ‘formas de poesia escrita’ adequadas às línguas modernas que serviram de ‘asas’ da fênix de sua evolução técnica. E no século XIX, tais formas de poesia – como o soneto – transformaram-se em ‘naturais’ e infringir suas regras constituía uma ofensa canônica irremediável. Modernamente, isso deixou de ser assim definitivamente, pois a arte do soneto foi ‘desfetichizada’. E ainda voltaremos ao assunto...
Afonso Estebanez

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

CÂNTICO DE AMOR NOTURNO
(Do Saltério de Sarom)


A hora é alta! E a noite é numerosa!
Morta é a lua no abismo da penedia!
Brame o oceano e freme a ventania
nos funerais noturnos da esperança...
E nem o amor pode fazer mais nada!
Deixei que minha vida se exaurisse
e que a escuna da alma se esvaísse
à bruma na memória da lembrança!

Oh, torrente assombrosa de paixões...
Não há rosa na vida que não sangre
ou lírio que viceje sobre o mangue
tinto de sangue ao látego do vento!
Divino amor dos deuses decadentes...
A aurora é luz na sombra iluminada
de uma opereta infrene e inacabada...
O amor saiu de cena antes do tempo!

Oh veredas lunadas! Oh candeias
do último luar que morre em mim
como luz entre as urzes do jardim
ou o ninho entre sarças encoberto!
Último cântico dos mortos sonhos
idos na flor ardente de Hiroshima!
Sonhar de amor que dói e desatina
e esvair-se como o oásis no deserto...

Procurei pelo amor por toda parte...
Debalde! Nem os cânticos dos rios
nem os porões escuros dos navios
puderam-me dizer onde encontrar!
No sonolento olhar das aves puras
na cruz da sepultura de meus pais
ou na honra sem dor dos samurais...
Não se vê onde possa o amor estar...

Quem sabe se nos idos medievais!
No princípio dos meios e dos fins...
Nos berçários azuis dos querubins
onde o amor é prodígio da paixão!
Mas amor sem o amor está banido...
Espada que não serve ao cavaleiro,
aventuras do barco sem barqueiro
pelos mares do amor sem a ilusão!

Há ainda os cadáveres das mães
jazidos na poeira dos escombros...
Há o peso dos corpos e os ombros
no fúnebre despejo das tragédias!
Ah, cântico de morte! Madalenas!
Chorai por esperanças prometidas
no jubiloso regresso das partidas,
o lado menos triste das comédias...

Chorai pelo destino de Desdêmona!
De Beatriz de Julieta e de Eurídice...
Cantai o amor maior do apocalipse...
Pelo amor de Jocasta! Oh corifeus!
Pela paixão dos astros e do eclipse...
Das prostitutas pelo amor proscrito
acolhido pelo amor de Jesus Cristo,
o Bem Supremo da paixão de Deus!

Deus! Depõe esse cântico de amor
nas veredas profundas do oceano!
Sustenta esse meu doce desengano
por esses mares de paixões e além...
Faça-me ânfora de um vinho novo.
Devolve a profecia ao seu profeta
e esse dom da poesia ao seu poeta
que tange às portas de Jerusalém!

Quero o amor infinito dos amantes
além dos fundos falsos das janelas
de onde o cio amoroso das gazelas
fertilize o deserto além do Hebrom...
O aroma dos vinhedos verdejantes
os amores do gamo sob as vinhas
guardadas pelo amante das rainhas,
como as rosas dos vales de Sarom!


Afonso Estebanez
ENIGMA DE ME VOLTAR



Talvez eu volte corrimão de rios tortos
por onde vem beber a lua amedrontada...
Espírito cantor dos pássaros já mortos
sob os destroços de uma flor inacabada...

Caravelas de nuvens como pressupostos
do transporte por céu da luz embriagada...
Quiçá refaça-me de restos recompostos
com os pedaços de minha alma fatigada...

Talvez eu venha como o ser e a solução
como ave presa na lembrança da canção
ou como flores despojadas num jardim... 

Talvez eu volte com um coração enfermo
e tente a morte retirar-me de mim mesmo
mas só eu mesmo posso me tirar de mim...

Afonso  Estebanez 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

HAIKAI

 Virtudes humanas
são como os frutos mais altos...
Colhem-se a pedradas!

Afonso Estebanez
DEPOIMENTO DA ROSA



Não deixo minha rosa consternada
só porque meu amor ama indeciso
as rosas quase nunca pedem nada
senão o que ao amor
ao amor seja preciso...

O que dizem as rosas de uma rosa
colhida a mais formosa do jardim?
O que faz uma flor mais venturosa
ser tão bela e morar
aqui dentro de mim?...

Só porque me angustio de alegria 
não deixo minha rosa entristecida
vai a noite e na aurora vem o dia...
Não existe ir embora
na paixão pertencida
e na flor minha rosa
vai viver toda a vida...

Afonso Estebanez
(Homenagem especial à amiga
Dulce Jacob Genari – “Luamor”) 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

*BIOGRAFIA CONDENSADA


AFONSO ESTEBANEZ STAEL, nascido em 30/10/1943 na região agreste do município de Cantagalo/RJ, é advogado, escritor, cronista, poeta, crítico literário, jornalista e verbete da “Enciclopédia de Literatura Brasileira” e do “Dicionário de Poetas Contemporâneos”.  Cursou o ensino médio no Seminário Arquidiocesano São José do Rio de Janeiro (1956/1962), concluído no Colégio Universitário da UFF em 1965. Cursou o ensino superior nas Faculdades de Direito e de Filosofia, Ciências e Letras da UFF em Niterói (65/70). Finalista dos 1º, 2º e 3º Torneios Nacionais de Poesia Falada, patrocinados pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro (68/69/70). Com a cassação, pelo regime de repressão, do poema concorrente ‘Livro de Viagem ou do Depoimento’ no dia de sua apresentação no 3º Torneio de Poesia Falada, o biografado foi premiado hors concours com o diploma de Menção Honrosa outorgado pelos jurados por conta do poema, também concorrente, ‘Roteiro da Sobremorte’. Proclamado Venerável Mestre da Loja Maçônica Baden Powell Sétima nº 35, filiada à Ordem Simbólica da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro, da qual foi Procurador Geral (78/79). Vencedor do Primeiro Concurso Estadual de Poesia do Advogado Fluminense (87). Obras publicadas em livros solo, edições esgotadas: “Canção que Vem de Longe”, J. Gonçalves Editora, Niterói/RJ (1966), “Livro de Viagem ou do Depoimento”, Editora Olímpica & Livraria São José, Rio de Janeiro/RJ (1971), “Em Tempo de Lótus, Lírios e Acácias”, coletânea compartilhada de poemas de inspiração maçônica, Gráfica e Papelaria Brasil Ltda, Niterói/RJ (1978), “Canto de Abrição e Outras Sinfolias de Beira Campo”, edição do autor (1988) e “Do Penoso Ofício de Sonhar”, Poesias Selecionadas, Vol. 1, Editora InSaNno/SP (2008). Obras publicadas também em antologias, jornais e revistas editados no país e exterior ao longo dos últimos 50 anos. Venceu o Iº Concurso de Literatura do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-Rio), nas categorias de prosa e verso (2007). Faz parte dos movimentos de inteligência literária de “Poetas Del Mundo”, “Alma de Poeta” e “Poemas à Flor da Pele”. Membro Correspondente Efetivo da Academia Brasileira de Poesia – Casa Raul de Leoni. Cônsul de Poetas Del Mundo para representar sua cidade natal (Cantagalo/RJ) no Movimento Mundial pela Paz. Aclamado Terceiro Poeta Virtual mais lido em 2008. Eleito em 2009 “Celebridade Cultural do Ano” pela Associação Cultural Poemas à Flor da Pele/RS, da qual é Sócio Benemérito Efetivo. Diplomas de Honra ao Mérito outorgados pela “Casa do Poeta Lampião de Gás”/SP, pela Fundação Artforum Brasil Unifuturo/SP, pela “Casa das Rosas”/SP e pela Academia de Letras e Artes Buziana (ALAB), da qual é Membro Correspondente Imortal e Sócio Benemérito Efetivo reconhecido pela Fundação de Cultura e Arte Rio Branco/RJ. Membro Correspondente Imortal e Sócio Benemérito Efetivo da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências – ACLAC/RJ e da ARTPOP – Academia de Artes de Cabo Frio/RJ, de cujo Colegiado Acadêmico recebeu também a honrosa Insígnia Honorífica e Venerável Carlos Scliar pelo seu 92º aniversário e o Título de Acadêmico Imortal, tomando posse na qualidade de Membro Correspondente Efetivo (Cadeira Patronímica nº 109), ocasião em que recebeu também a Medalha de “Personalidade Cultural 2012” outorgada pelo Colegiado Acadêmico da Academia de Artes de Cabo Frio/RJ, reconhecido como excelência na gestão de sua carreira literária destacada pelo Talento, Criatividade e Empreendedorismo no cenário cultural do país. Em 28/06/2013, pelo reconhecimento de sua expressão científico-literária, foi consagrado com o Título de ‘Escritor Imortal’ outorgado pelo Conselho Superior da Academia de Letras do Brasil/Seccional Suíça, Instituição de Cultura Internacionalmente Constituída, sediada em Berna, Suíça, ocasião em que foi empossado na Cadeira Patronímica nº 94 como Membro Correspondente Efetivo da ALB/SUÍÇA, recebendo a Medalha do ‘Mérito Lítero-Cultural Euclides da Cunha’ no Grau de “Acadêmico Imortal”.   Em 12/07/2013 recebeu o Título de “Comendador do Rio de Janeiro – Cidade Maravilhosa” outorgado pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA), quando foi agraciado pela Confederação Internacional dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (CONINTER) com o Título de Grande Honra Acadêmica, tomando posse na qualidade de Acadêmico Imortal Titular da Cadeira Patronímica nº 22, da qual é patrono o festejado poeta de língua alemã Rainer Maria von Rilke. É membro da LITERARTE – Associação Internacional de Escritores e Artistas. Indicado pela renomada poetisa e promotora cultural brasileira, Doroty Dimolitsas, o poeta aqui biografado recebeu em São Paulo/SP, no dia 25/08/2013, o prêmio anual "Destaque Poético de 2013", criado pela Academia de Letras e Artes de Fortaleza/CE em intercâmbio cultural com a Associação Cultural Poemas à Flor da Pele/RS. Na ocasião foi agraciado ainda com a Medalha de Honra ao Mérito outorgada pelo Centro Cultural São Paulo/SP e Associação Cultural Poemas à Flor da Pele/RS por sua participação como Jurado representante do Rio de Janeiro/RJ no Concurso Nacional de Poesia ‘Vidas Secas e Gabriela’, de âmbito nacional. Em 09/11/2013, Afonso Estebanez foi agraciado com Troféu, Medalha e Diploma de Honra ao Mérito comemorativo dos “Sete Anos de Pura Poesia” da Associação Cultural Poemas à Flor da Pele/RS, em solenidade celebrada no Centro Histórico do Memorial do Rio Grande do Sul, durante o transcurso da 59ª Feira do Livro de Porto Alegre, ocasião em que foi comemorado o 70º aniversário do biografado, recebendo ainda a Medalha de Honra ao Mérito por sua participação como Jurado representante do Rio de Janeiro/RJ no Concurso Nacional de Poesia ‘100 Anos de Vinicius de Moraes’, também outorgado pela Associação Cultural Poemas à Flor da Pele/RS. Em 19/02/2014, por indicação do Colégio Diretor da Associação Educacional Doutor Paulo Cezar Queiroz Faria, de Cordeiro/RJ, o escritor Estebanez, juntamente com outras personalidades de reconhecida notoriedade educacional, foi agraciado com o Diploma de Honradez e Comprometimento e com a honrosa Medalha Doutor Paulo Cezar Queiroz Faria, seu fundador, em solenidade comemorativa dos 25 anos de fundação daquele conceituado educandário que, destacando a obra do biografado no cenário cultural da região, o consagrou como parceiro privilegiado na construção de sua história. Em 03/05/2014 o poeta foi agraciado com a medalha e respectivo diploma de “Personalidade 2013” na categoria ‘Arte Literatura’, outorgados pelo Colegiado Acadêmico da ARTPOP – Academia de Artes de Cabo Frio/RJ. Indicado por Academias de Letras e Artes de todo o país, além de Associações e Entidades Culturais correlacionadas, em 27/06/2014 o poeta e escritor Afonso Estebanez foi reconhecido como “Acadêmico Imortal” da ACLAV – Academia de Ciências, Letras e Artes de Vitória-ES, recebendo de seu Egrégio Conselho Diretor a Faixa Acadêmica, a Medalha correspondente à honraria e o Diploma de Mérito outorgado em consagração ao seu trabalho artístico desenvolvido ao longo de sua carreira literária. Teve participação efetiva como integrante, prefaciador e colaborador cultural das 1ª, 2ª e 3ª Antologias dos “Poetas Fazenda Arte em Búzios” (2012/2013/2014), iniciativas literárias coordenadas pela poetisa fluminense Sonia Medeiros Imamura, com repercussão no exterior através do prestigiado “Salon International du Livre et de la Presse de Genève/Suisse”. Em 19/07/2014, tornou-se membro fundador vitalício da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa – AVPLP – onde ocupa a cadeira patronímica nº 22 cujo patrono é o poeta fluminense Fagundes Varela, entidade literária destinada a congregar poetas das nações da língua de Luís Vaz de Camões – patrono da Academia que se estende do Brasil a Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Ficou notabilizado no âmbito literário das redes sociais como o “Poeta das Rosas”. O autor de ‘Livro de Viagem ou do Depoimento’ é considerado um dos precursores da poesia alternativa da geração dos anos 70. Tem como heterônimo o poeta de índole neossurrealista Julis Calderón d’Estéfan, de quem diz ser a sua ‘mais feliz contradição humana’.

*Biografia condensada autorizada pelo autor.
O OFÍCIO DO POETA


Objetivo: prestar auxílio cultural voluntário aos interessados em iniciar na arte da criação literária no âmbito da poesia, através de estímulos especiais que visem à desobstrução do medo resultante da inibição, da timidez, da discriminação de qualquer espécie e de outros fatores de exclusão dos indivíduos do processo de autoafirmação sociocultural.

Concebida a poesia, passa o criador à expressão material de seus pensamentos e sensações, realizando-os de ‘maneira original’ ou não, com ‘estilo pessoal’ ou não, conforme sua maior ou menor aptidão. A ausência de originalidade ou estilo pessoal próprio não implica em negação psicomonista do êxtase poético: o leitmotiv. A poesia existe em sua concepção psicossomática dualista. Falta-lhe, porém, a criatividade da comunicação, sempre obediente a um mínimo de preceitos básicos, sem os quais não poderá alcançar o público que lhe dará, ou não, reconhecimento e aprovação.

É por aí que “O Ofício do Poeta” entra para tentar auxiliar, considerando que a criação literária tem sido interpretada, em todos os tempos, como a fusão da intenção criadora e a expressão artística. A palavra – antes elemento nuclear da comunicação – vem absorvendo as mutações lingüísticas próprias do avanço tecnológico do nosso tempo, não devendo – por enquanto – ser foco principal de nossos propósitos iniciais.

Todavia, é fundamental reconhecer que na palavra ‘Há intenções, emoções ou vivências ocultas sob os seus tons e sons indiferentes. A palavras escrita oculta o mundo espiritual do poeta e o leitor compreensivo pode desentranhá-lo. A palavra fixada no texto literário tem acepção e valor convencional no mercado lingüístico’, a despeito da singularidade com que é tratada no mundo contemporâneo. Mas ‘a palavra, já pelo contexto, já pelo matiz insuflado pelo seu criador, passa a ter significado especial, diverso do uso corrente’ (Castagnino em El análisis literario). Neste caso, “O Ofício do Poeta” pretende relevar também, como plano do ‘fato literário’, o princípio de que ‘sonhos são direitos fundamentais indisponíveis da alma humana’ e, como tal, intocáveis...


Afonso Estebanez

sábado, 4 de fevereiro de 2017


A MAGIA DA EXPRESSÃO LITERÁRIA
OFICINA – MODULAÇÃO INTERATIVA - 01
*REGISTRO DAS PERCEPÇÕES SENSORIAIS*


Lembrem-se do que observamos no módulo 01: ‘o que existe em cada um de nós é a poesia em sua concepção psicodualista (inspiração), a reclamar materialização através de qualquer processo conhecido de comunicação humana (expressão)’. Assim, se o poeta não registra os estímulos ou reclamações do seu universo interior, está deixando de materializar – mesmo que embrionariamente - as próprias percepções sensoriais ou extrassensoriais que, em tese, poderiam dar à luz um singular poema. Isso é normal sim, e nada tem a ver, necessariamente, com a fenomenologia da paranormalidade. A existência e transitividade interior dos seres humanos são um fato. E essa transitividade deve ser registrada, nem que seja nos muros da rua como fazem os pichadores de muros e paredes. Com um batom vermelho, já registramos um haicai na camisa social branca, por eventual falta de papel e caneta. Augusto dos Anjos registrou o seu ‘Eu’ com o sangue jorrado dos próprios pulmões comprometidos pela tuberculose. Assim, pôde o autor de ‘Eu e outras poesias’ comprovar a existência de seu impulso irresistível de escrever sobre a morte, por mais indiferente ou vazio que lhe fosse o conteúdo. O que não deve acontecer em tais oportunidades é o poeta desprezar os estímulos interiores pelos avassaladores estímulos exteriores. Ele se transformaria, então, em mero espectador dos acontecimentos mais evidentes da vida. Os menos evidentes, mais belos e mais raros, estão dentro de nós mesmos.
Afonso Estebanez