terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

ROMARIA DE ESPERANÇA

ROMARIA DE ESPERANÇA

ROMARIA DE ESPERANÇA

Sonhos são pássaros que emigram
entre mitos de esperas e liberdade
numa romaria infinita ao encontro
marcado da memória despertada...
... para o cumprimento do instinto
de não necessitar nunca de nada...

Eles dormem acordados como faroleiros
que sabem pela velha cartilha das estrelas
a hora de desancorar do céu seu novo dia
já despertado na restinga da alvorada.

Sonhos às vezes são notícias postadas pela brisa
que desperta com as mãos aquecidas de ternura.
Às vezes são regatos chorando sem sofrimento,
pois não há dor quando a espera sempre alcança.

Mas há sensações de eternidade onde nenhuma
pétala desfolha de sua flor sem que o consinta
o vento passageiro dos arrulhos da esperança.

Não há presságios nem maus pressentimentos
onde os sonhos são pássaros
que emigram na lembrança...

Afonso Estebanez

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

GRAÇA DESMEDIDA

GRAÇA DESMEDIDA

GRAÇA DESMEDIDA

Contemplo o meu jardim
como se fosse pela última vez...
E me comove o instinto daquela
pequenina flor se abrindo para o céu
como um pedacinho de arco-íris
bebendo no ribeiro da alvorada
a primeira gota de orvalho
da manhã sobre a ravina
derramada.

Procuro entender a minha vida
segundo aquela demonstração
de milagre pelo poder da graça
sobre a simplicidade às vezes
não percebida.

O relógio não faz tempo
mas o tempo se eterniza
nesse milagre de amor:
pode a flor passar no vento
mas fica o aroma da brisa
e o encanto de uma flor.

Desistir de mim – repenso –
por causa de um desamor,
se a pequena flor do campo
Deus jamais abandonou?
Então me visto de encanto
com o manto daquela flor...


Dueto de Sueli Amália (Poetisa das Marés)
& Afonso Estebanez.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

SUMIDOURO DE LEMBRANÇAS

SUMIDOURO DE LEMBRANÇAS

SUMIDOURO DE LEMBRANÇAS

Eu sempre quis deixar-te uma mensagem
como a da brisa enquanto abraça o vento
ou como uma canção que vem da aragem
de tanto amor que envio em pensamento.

Eis que a vida nem sempre é uma viagem
por onde em tudo há mais contentamento
do que em viver lembranças da passagem
de um breve amor vivido além do tempo.

E eu sempre quis dizer-te que de alianças
o amor é o fruto além de algum momento
que se exauriu em mim como esperanças

exaustas de um silêncio em que lamento:
– Ai, de meus sumidouros de lembranças
onde lembrar é pior que o esquecimento!

Afonso Estebanez

sábado, 14 de fevereiro de 2009

EM TEMPO DE LÓTUS, LÍRIOS E ACÁCIAS...

EM TEMPO DE LÓTUS, LÍRIOS E ACÁCIAS...

EM TEMPO DE LÓTUS, LÍRIOS E ACÁCIAS...

Jamais perder o momento
de encontrar na boca
um sorriso...

Jamais perder a esperança
de encontrar na curva
um caminho...

Jamais perder a certeza
de encontrar no muro
uma porta...

O lótus pode ser
o momento de glória
da lama...

O lírio pode ser
o encontro da paz
na esperança...

A acácia pode ser
a certeza da vida
na morte...

Afonso Estebanez

COUNTRY EXPRESS

COUNTRY EXPRESS

COUNTRY EXPRESS

COUNTRY EXPRESS

Ninguém contava que daquela aurora boreal
de luzes coloridas fosse surgir aquele bando
de cowboys alucinantes num torvelinho de
flashes deflagrados entre nuvens enluaradas.

Foi trepidante cavalgada de órgãos bachianos
– velozes diligências perseguidas nas pradarias
da cantata & fuga da classic-country-music.

Como se o Steve Yolen tivesse conhecido
a Dolly Parton com um banjo enterrado
no fundo do coração e começado aquela festa
improvisada de I believe in Santa Claus.

My heroes have always been cowboys:
como anjos do prodigioso equívoco do sonho,
a country bland não havia sido programada
para vibrar aos nossos pés de caipiras ritmados.

E aconteceu aquele duelling dos sentidos,
como um milagre que contagia pela evidência
da felicidade benvindamente inesperada.
Quem não viu, não precisa acreditar...
Festa encerrada!

Só o coração de um cowboy é um saloon vazio
quando a saudade dói como canção calada...

Afonso Estebanez