sábado, 8 de abril de 2017

“A MULHER DO CAIS”


Lembro-me dela de dançar sozinha
bailando o vento alguma valsa triste
e sempre que voeja uma andorinha
faz-me pensar que ela ainda existe.

Iam-se as velas e a bailar me vinha
aquela deusa de mulher que insiste
no leve amor de alma igual à minha
ainda agora quando o amor permite.

Como na vida, um cais vira a ribalta
daquele amor intenso que não volta
a ancorar-se em prazeres sazonais.

Quisera eu fosse aquele marinheiro
para falar de amor ao mundo inteiro
tal o do sonho que não sonha mais.

Afonso Estebanez
(Em 08.04.2017)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

AVE MARIA


Ave Maria!... sois a ingênita de graça
entre mulheres já tão cedo rejeitadas
por vil misoginia que sequer disfarça
essa tortura das mulheres ultrajadas.

Ave Maria!... abjugai-nos da ameaça
de luta suja com mulheres vitimadas
na vã espera de que a lida se refaça
sob refúgio vão da honra expatriada.

Ave Maria!... olhai pelos refugiados,
os desatinados, doentes e afogados
amém se isto for apenas esperança.

Ave Maria!.... intercedei pelos aflitos
livrai-nos da aflição desses conflitos
por vezes fantasias tolas de criança.

Afonso Estebanez

quarta-feira, 5 de abril de 2017

LEGADO EM EXTINÇÃO


Relendo minhas cartas do passado
trocadas entre o amor e o coração,
percebo um outro estilo imoderado
declarando meu talho em extinção.

A despeito de antigo ou desbotado
meu caderno escolar detém noção
de que o amor começa ponderado
para depois queimar-se de paixão.

A idade foi levando meus carteiros
como a tinta aspirada dos tinteiros
da carta que não pude responder.

Quiçá meu coração ainda se sinta
tal como espécie afeta não extinta
com o instinto indomável de viver.

Afonso Estebanez
(Soneto que dedico a notável amiga e poetisa
Antônia Albuquerque
por reconhecimento do mérito na divulgação
de sua arte poética pelo país.
Em 05.04.2017
LEGADO EM EXTINÇÃO


Relendo minhas cartas do passado
trocadas entre o amor e o coração,
percebo um outro estilo imoderado
declarando meu talho em extinção.

A despeito de antigo ou desbotado
meu caderno escolar detém noção
de que o amor começa ponderado
para depois queimar-se de paixão.

A idade foi levando meus carteiros
como a tinta aspirada dos tinteiros
da carta que não pude responder.

Quiçá meu coração ainda se sinta
tal como espécie afeta não extinta
com o instinto indomável de viver.

Afonso Estebanez
(Soneto que dedico a notável amiga e poetisa
Antonia Albuquerque)
Em 05.04.2017
POEMETO PARA SOLANGE MALOSTO


Esse olhar de deusa grega
é teu,
mas todo o horizonte dele
é meu...
Eis que me chegas
com esse luar na fronte
cujo brilho é minha ponte
que de ti vai dar no céu...
Esse olhar de deusa grega
é teu,
mas todo o horizonte dele
é meu...

Afonso Estebanez Stael
(Em 13 de outubro de 2015)

terça-feira, 4 de abril de 2017

CELEBRAÇÃO A MARIA MADALENA


Compraz-nos conceber-te despertada
de um pesadelo adverso contra a vida
numa ascensão da alma contemplada
pela indulgência em ti tão pressentida.

Quanta lágrima a sós foi-te amargada
sem que essa dor se doesse dividida,
quanta angústia que agora repassada
não mingua mais tua alma pertencida.

Pertences aos templários da maestria
que em restaurada a graça da alegria
manténs-nos nosso amor no coração.

E apraz-nos que jamais sintas tal dor
depois da expressão de nosso amor,
que escrevo em talho de celebração!

Afonso Estebanez
(Dedicado a notável amiga
Maria Madalena Cigarán Schuck, minha mestra
de postura pessoal na internet, irmã e cunhada
de mistérios místicos não revelados e incomparável
vencedora recente de um combate travado entre
seu estado de saúde e sua alma e admirável vontade
de viver integrada ao dom maior da fraternidade).
Em 04.04.2017)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

MEU CAMINHEIRO


Meu caminheiro é como um andarilho
que para mas prossegue caminhando
e se eu morrer não sou um empecilho
o santo é fraco e eu continuo orando.


A noite é escura mas no céu há brilho
suave é o vento mas persiste uivando
meu caminheiro, um mero maltrapilho
aos olhos dos que choram festejando.


Meu caminheiro existe além do tempo
e se transporta ao sol no pensamento
aonde se chega como estar andando.


A qualquer hora o simples caminheiro
num campo santo hospedará primeiro
os revoltados que estarão chegando.


Afonso Estebanez

domingo, 2 de abril de 2017

ELEGIA PARA SÉRGIO MORO
(Em forma de soneto)


Temos direito de sagrar-te nosso herói
em salientando a tua estoica mocidade
hábil de ver que essa chaga que corrói
o solo pátrio é fruto vil da impunidade.

Ante a corrupção viral que desconstrói
és um guerreiro invicto pela probidade
contra a mazela pública do que destrói
os bens morais e éticos da sociedade.

Tens combatido a epidemia nas raízes
atenuando ao tempo nossas cicatrizes
adquiridas por lágrimas de indignação.

Fazes justiça à pátria com a dignidade
desenterrada do brejal da improbidade
pelo direito de aclamar-te nosso irmão!

Afonso Estebanez

sexta-feira, 31 de março de 2017

A SENTENÇA


Salomão certamente apraz-se proclamado
quando lança a primeira pedra o acusador:
‘...cometera um delito hediondo o acusado
ao despojar de honra a pátria, sem pudor’.

Consta que o réu é um canhoto rebaixado
por arcanjos promíscuos como um delator
Judas sem rosto que jamais foi enforcado
para poupar o abutre em frentes de terror.

Por indecência de perder-se de si mesmo
só por malícia de afundar a pátria a esmo
pelo desmonte da consciência nacional...

Mude-se a competência para Deus julgar
por tanto desamor que houver de avaliar,
e para sempre nos blindar de tanto mal...

Afonso Estebanez
DEPRESSÃO
O QUINTO CAVALEIRO


No apocalipse não restou descrito
o armagedom do quinto cavaleiro
o algoz cabal do espírito proscrito
no cárcere do gênio em cativeiro.

Transtorno catastrófico e maldito,
a mente abate quieto e traiçoeiro
e induz o ser humano o anticristo
a destruir-se em séquito ceifeiro.

Depressão é perder-se da alegria
do mago que se lembra da magia
e vive medicado com lembrança.

Ao espelho permita-se espedace,
não se renove a máscara da face
e se afligir só seja de esperança!

Afonso Estebanez

quinta-feira, 30 de março de 2017

PASTOREIO V


Numa vida eu fui pastor
noutra vida fui a ovelha
hoje sou como centelha
de dar paz ao desamor.
Pastor, eu tive o relento
ovelha, os fios do vento
com um sopro de calor.

Hoje sou meu jardineiro
cortejando a minha flor,
a quem dei o meu amor
na orla do meu canteiro.
Lá restei-me ao coração
que foi vinho e foi o pão
do convívio hospitaleiro.

E quando recorro ao fim
sobre o vazio dos meios
e seus meros devaneios
de rosa nascida em mim
vejo que nada é perfeito
ou talvez seja meu peito
algum canto de jardim...

Afonso Estebanez

quarta-feira, 29 de março de 2017

A MAGIA DA EXPRESSÃO LITERÁRIA
OFICINA – MODULAÇÃO INTERATIVA - 14
*A POESIA NO SANGUE DO UNIVERSO* 


O texto que ora privilegio – “A POESIA NO SANGUE DO UNIVERSO” - é afirmação de uma percepção incomum da poesia nos tempos atuais, merecendo ser lido, refletido, compartilhado e divulgado no âmbito das iniciativas para credenciamento da arte da poesia. Aproveito para levar o belo e oportuno texto de Sheilla Corrêa, por manifestação do grupo “Sulla Fernandes Poesia” para o blogger da Magia da Expressão Literária - oficina - ao qual espero se incorpore, bem como se integre à nossa página de natureza cultural. Fico agradecido ao grupo “Sulla Fernandes Poesia” pelo envio desta pérola!

 “A POESIA NO SANGUE DO UNIVERSO” POR SHEILA CORRÊA - “A Poesia é um vírus de sentimento, de percepção aguda, de energia premonitiva, que circula na veia do universo. E se infiltra às vezes como soda cáustica, carcomendo as hemáceas das certezas ideológicas, explodindo as plaquetas da manipulação dos espíritos, das vontades e das consciências. Ao Poeta, com a seringa na mão, não cabe controle, não cabem indicativos de comportamento; não adiantam sangrias para livrarem-se de sua contaminação. Poeta perturba a ordem no rebanho, simplesmente por não entender a linguagem do berrante. Ele brinca com o berrante. Usa-o como caneta para escrever poesia no capim. Espia curioso na boca do berrante, quebra-o em pedacinhos só para ver o que tem dentro. Poeta fica louco, como Holderline; se mata, como Mishima; xinga heróis da Pátria, como Benigna; expõe-se à violência e ao exílio, como os poetas palestinos. Sem nem saber por que razão faz isso. Faz porque faz. A minha grande pergunta para a sociedade é esta: E agora? A Modernidade Eletrônica chegou e ainda estamos aqui, riscando na pedra da alma. O que é que vocês vão fazer com a gente? Vão nos usar como brinquedinhos de controle remoto? Vão nos paralisar à guisa de símbolos midiáticos? Vão nos fragmentar para cabermos no site? Bom! Se vão fazer isso tudo, façam com cuidado, porque a gente tem vírus”.

Sheilla Corrêa
(Colaboração Interativa de “Sulla Fagundes Poesia”).

Afonso Estebanez