domingo, 1 de junho de 2014

DO PÁSSARO RETIRANTE

DO PÁSSARO RETIRANTE

No dia em que o destino interromper
meu tempo de andarilho pela aurora
qual pássaro em silêncio vou morrer
ao desígnio mais triste de ir embora.

Se o crepúsculo ouvisse já de agora
meus cantares de paz e amanhecer
nem mesmo a noite perderia a hora
de ouvir os cânticos do entardecer...

No reino dos ciprestes que governo
vou refazendo a ardor do cio eterno
infenso aos vendavais em desatino.

É por isso que vivo meus instantes
no eterno amor das aves retirantes
porque a morte é cilada do destino.

Afonso Estebanez

ENTRE GÉRBERAS E ROSAS

ENTRE GÉRBERAS E ROSAS

Nunca deixes de olhar para tua flor
com o encanto das aves retirantes
ainda que em sonho te pareça dor
a dor do olhar doído dos amantes.

A flor traz sensação de ver o amor
da gávea numerosa dos mirantes:
as flores são teus barcos ao sabor
das razões infinitas dos instantes.

Faze de ti como te cuida o artífice
que te faz renascer do apocalipse
ao plano de desconhecida esfera:

um canteiro de gérberas benditas
e os arco-íris de estradas infinitas
entre as rosas de tua primavera...

Afonso Estebanez

COMO ENTRE GIRASSÓIS

COMO ENTRE GIRASSÓIS

Devo morrer de lágrima de encanto 
não quando toda dor tenha cessado
mas enquanto for pena todo pranto 
e o meu amor um canto inacabado.

A vida às vezes cruza o desencanto
com um sonho por vezes sepultado
mas deste luto é que se faz o canto
depois de tudo pronto e terminado.

Ninguém pode olvidar os pesadelos 
razões dos fios brancos dos cabelos 
ocultos entre as dobras dos lençóis. 

Eis neles vão os sonhos docemente
morrendo como morre o sol poente
no horizonte do olhar dos girassóis.

Afonso Estebanez

COMO ENTRE GIRASSÓIS

COMO ENTRE GIRASSÓIS

Devo morrer de lágrima de encanto 
não quando toda dor tenha cessado
mas enquanto for pena todo pranto 
e o meu amor um canto inacabado.

A vida às vezes cruza o desencanto
com um sonho por vezes sepultado
mas deste luto é que se faz o canto
depois de tudo pronto e terminado.

Ninguém pode olvidar os pesadelos 
razões dos fios brancos dos cabelos 
ocultos entre as dobras dos lençóis. 

Eis neles vão os sonhos docemente
morrendo como morre o sol poente
no horizonte do olhar dos girassóis.

Afonso Estebanez

UM SONHO ENTRE NÓS

UM SONHO ENTRE NÓS

Põe o sonho onde te ponho
ou deixa que o leve o vento
se não te restar mais sonho
faz sonhar teu pensamento.

Nenhum sonho vai embora
que não possa mais sonhar
como a insônia é a demora
que aguarda o sono voltar.

Como a noite é a memória
do amanhã que vai chegar
nenhum sonho tem a hora
para um sonho descansar.

Põe um sonho em tua vida
e a minha deixa sem nada
mas na estação da partida
não deixa a tua espalhada.

Não é bem que vás agora
com o teu jeito de sonhar
teu sonho quer ir embora
mas o meu não quer ficar...

Afonso Estebanez
(Poema dedicado à generosa amiga
Maria de Fátima Alfredo Guimarães)