domingo, 3 de maio de 2009

AMOR DE CARNAVAL

AMOR DE CARNAVAL

Se de fato tu queres me encontrar
apesar de me teres transformado
na tua multidão, tu deves procurar
no alvoroço do baile triunfal
de teu tumultuado coração...

Eu sou aquele que tu vês se levantando
daquela sombra que virou teu chão.
Repara como eu engoli meu sim
para não ter que devolver teu não...

Se de fato tu queres me encontrar,
eu sou aquele que já foi embora
com uma flor na mão...

Afonso Estebanez

DOMINGO NA PRAÇA

DOMINGO NA PRAÇA

DOMINGO NA PRAÇA

É quase patológica a minha vocação
para ficar sentado no banco da praça
vendo a banda passar...
bumbo
bomba
trompa
bunda
coreto
confete
trombeta
trompete
– Sabe qual é a diferença
entre a banda e a bunda?
O traseiro de Laura carrega o sentimento do mundo...
O coração de Ivone transporta a fome jantada...
A cabeça de Graça é uma entrada de motel...
o bumbo
é banbo
e tromba
a bunda
O padre está dormindo com uma beneditina
que reza com ele debaixo da batina.
– Affe Maria
que vida cretina!

Afonso Estebanez

terça-feira, 28 de abril de 2009

DE ALMA NO VENTO...

DE ALMA NO VENTO...

DE ALMA NO VENTO...

Ainda que seja só em pensamento
não me procurem onde não estou.
Eu não fiquei no cântico do vento,
pois a canção do tempo me levou.

Talvez meu coração tão desatento
não tenha percebido o que passou.
Ainda que seja só em pensamento
não me procurem onde não estou.

Eu não estou num doce desalento
por amor tão sonhado que passou.
E nem estou num agridoce alento
de sonhar o que o sonho recusou.

Não me procurem onde não estou
ainda que seja só em pensamento.
Morre o corpo num resto que ficou
de minha alma levada pelo vento.

Afonso Estebanez – 28.04.2009
(Dedicado a Maria Madalena Cigarán Schuck
– pelo seu aniversário – pleito de gratidão pela
divulgação de minha poesia no sul do país)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O VERDE VALE DA MINHA CIDADE

O VERDE VALE DA MINHA CIDADE

O VERDE VALE DA MINHA CIDADE

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É o ribeirão exausto procurando
no remansoso coração da tarde
silenciar-se de chegar cantando
ao verde vale da minha cidade...

Pernoita a lua atenta no telhado
das casas onde tênue claridade
revela o amor em pelo revelado
no verde vale da minha cidade...

A saudade se dói de andar à toa
no lado vago de minha saudade
de ver o trem sumindo na garoa
do verde vale da minha cidade...

Ha canteiros de rosas e jacintos
no caminho da vaga eternidade
da orla dos ribeiros não extintos
no verde vale da minha cidade...

A paz daqui é como eterno bem
para quem vive com a liberdade
de já não precisar de nada além
do verde vale da minha cidade...

Afonso Estebanez
(Dedicado à eminente professora cantagalense
Anabelle Loivos Considera C. Sangenis/UFRJ)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ASTRONÁUTICA

ASTRONÁUTICA

ASTRONÁUTICA

No leito de lançamento
do teu corpo ao universo
ponho todo o sentimento
do meu amor inconfesso,
e não me tragas respostas
para as falsas impressões
de tantas culpas impostas
por minhas contradições.
Por amor poetas mentem
quando falam de sua dor
e falando que não sentem
do que sentem por amor.
Peço só que tu me tragas
da alma cósmica de ti
uma das estrelas vagas
onde sempre me perdi.

Afonso Estebanez
(Poema dedicado à solidária amiga
Márcia Silva Marcelino Ramos)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

NA BEIRADA DO CAIS

‘DOCEPOEMA’: UM TRIBUTO A CORA CORALINA

‘DOCEPOEMA’: UM TRIBUTO A CORA CORALINA

‘DOCEPOEMA’:
UM TRIBUTO A CORA CORALINA

Eu sou o amor fiel das coisas simples
das conversas da brisa com a aurora.
Os realces dos brilhos sem requintes
que há nos rubis dos brincos
das amoras...
E eu sou a flor servil daqueles pomos
que saciam os sonhos das quimeras,
os frutos de verão dos meus outonos
entre o último estio
e as primaveras...
Guardo no corpo de jardins agrestes
as linhas de um poema à flor da pele
escrito pelas mãos do amor silvestre
para que em mim o amor
mais se revele...
Fiz com saudade a ponte da subida
deixei rosas na encosta das colinas.
Com coisas simples confeitei a vida
na doce lida de ser
Cora Coralina...

Afonso Estebanez
(Dedicado à comunidade *Poemas à Flor
da Pele* - Ger. Poetisa Soninha Porto/BR)