quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
MEESTRIA A LEONORA DE PROENÇA (Cantiga de Amigo)
MEESTRIA A LEONORA DE PROENÇA
(Cantiga de Amigo)
Um dia brisa no campo
um dia a asa no vento
enviei meu pensamento
ferido de desencanto...
Leonora, Leonora,
ess’amor assi non fora
qu’outro bem me fora tanto?
Uma vez brisa soprada
uma vez asa partida
minha ilusão tam velida
voará desencontrada...
Leonora, min tormenta!
Non torn’ess’amor qu’eu senta
em coita tam desamada...
Leonora, eu cuidaria
desse amor com tal desvelo
qu’outro bem pra merecê-lo
de ser mor que o meu teria.
Mays se vós visseis, Senhor,
com tal coita mia dor,
dess’amor vos morreria...
Quanto mais a dor doesse
mais esse amor veveria...
A. Estebanez
(Do livro Antologia Poética do
Grupo Salina de Niterói – 1969)
(Cantiga de Amigo)
Um dia brisa no campo
um dia a asa no vento
enviei meu pensamento
ferido de desencanto...
Leonora, Leonora,
ess’amor assi non fora
qu’outro bem me fora tanto?
Uma vez brisa soprada
uma vez asa partida
minha ilusão tam velida
voará desencontrada...
Leonora, min tormenta!
Non torn’ess’amor qu’eu senta
em coita tam desamada...
Leonora, eu cuidaria
desse amor com tal desvelo
qu’outro bem pra merecê-lo
de ser mor que o meu teria.
Mays se vós visseis, Senhor,
com tal coita mia dor,
dess’amor vos morreria...
Quanto mais a dor doesse
mais esse amor veveria...
A. Estebanez
(Do livro Antologia Poética do
Grupo Salina de Niterói – 1969)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
REENCONTRO COM O POEMA
REENCONTRO COM O POEMA
Minha vida vazia de memória talvez
não possa provar que já fui pastor de rios,
sentinela de colinas, mirante das fortalezas
nas ameias das neblinas...
Nem que é por mim que à noite os ventos
vêm chorar sobre as ruínas...
Mas a escassa memória
numa simples foto antiga que o tempo
virou do avesso casualmente revelado,
garante o prenúncio de um recomeço
capaz de trazer de volta o sonho à mente
de que é possível às águas de um riacho
refazer seu curso de volta aos cantares
primitivos da nascente...
... se for por causa do amor
esse meu "pão nosso" de cada dia
que mata a fome de minha flor
e me deixa em estado de pânico
infinito de alegria...
Afonso Estebanez
Minha vida vazia de memória talvez
não possa provar que já fui pastor de rios,
sentinela de colinas, mirante das fortalezas
nas ameias das neblinas...
Nem que é por mim que à noite os ventos
vêm chorar sobre as ruínas...
Mas a escassa memória
numa simples foto antiga que o tempo
virou do avesso casualmente revelado,
garante o prenúncio de um recomeço
capaz de trazer de volta o sonho à mente
de que é possível às águas de um riacho
refazer seu curso de volta aos cantares
primitivos da nascente...
... se for por causa do amor
esse meu "pão nosso" de cada dia
que mata a fome de minha flor
e me deixa em estado de pânico
infinito de alegria...
Afonso Estebanez
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
CANÇÃO BALDIA
CANÇÃO BALDIA
Às vezes tenho saudade
da saudade que não tive
de morar com liberdade
onde livre nunca estive.
Às vezes tanta saudade
não é tanta por um triz:
pois que a tal felicidade
só me quis quase feliz.
Fui quase feliz em tudo
fui e sou sem vanidade
do que serei sobretudo
a despeito da saudade.
Partir foi quase preciso
sumindo na eternidade
não me fora teu sorriso
enganar essa saudade...
Afonso Estebanez
(Poema dedicado à notável poetisa
carioca Soninha Porto – 08/02/09)
Às vezes tenho saudade
da saudade que não tive
de morar com liberdade
onde livre nunca estive.
Às vezes tanta saudade
não é tanta por um triz:
pois que a tal felicidade
só me quis quase feliz.
Fui quase feliz em tudo
fui e sou sem vanidade
do que serei sobretudo
a despeito da saudade.
Partir foi quase preciso
sumindo na eternidade
não me fora teu sorriso
enganar essa saudade...
Afonso Estebanez
(Poema dedicado à notável poetisa
carioca Soninha Porto – 08/02/09)
domingo, 8 de fevereiro de 2009
VERSOS TRISTES
VERSOS TRISTES
E eu faço versos como quem consente
com a tristeza que os meus versos têm
sem que perceba que ela está presente
até no instante em que a alegria vem...
Eu faço versos como quem pressente
o instante alegre que não me convém,
eis que a alegria é o jeito descontente
de um jeito triste que me faz tão bem.
Quantas vezes com tanta intensidade
sinto-me um triste-alegre de saudade
e nem ao menos posso compreender:
o quanto esta tristeza é companheira,
pois antes de morrer ela é a primeira
a não deixar que eu morra sem viver.
Afonso Estebanez
E eu faço versos como quem consente
com a tristeza que os meus versos têm
sem que perceba que ela está presente
até no instante em que a alegria vem...
Eu faço versos como quem pressente
o instante alegre que não me convém,
eis que a alegria é o jeito descontente
de um jeito triste que me faz tão bem.
Quantas vezes com tanta intensidade
sinto-me um triste-alegre de saudade
e nem ao menos posso compreender:
o quanto esta tristeza é companheira,
pois antes de morrer ela é a primeira
a não deixar que eu morra sem viver.
Afonso Estebanez
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
SONHOS DE PRIMAVERA
SONHOS DE PRIMAVERA
É preciso romper o véu das mutações
e relembrar o número de quantas eras
levam os sonhos entre fios de ilusões
e desencantos numa teia de quimeras.
Necessário é tirar as meras intenções
de todo amor já saturado das esperas.
Amor é um plural de fases e estações
e nele não há singular de primaveras.
Amar é celebrar o instinto atemporal
como o vinho supera a taça de cristal
sob os sentidos infinitos dos amantes.
Se nada nesta vida dura para sempre,
melhor é repetir finita e eternamente
as utopias mais eternas dos instantes.
Afonso Estebanez
É preciso romper o véu das mutações
e relembrar o número de quantas eras
levam os sonhos entre fios de ilusões
e desencantos numa teia de quimeras.
Necessário é tirar as meras intenções
de todo amor já saturado das esperas.
Amor é um plural de fases e estações
e nele não há singular de primaveras.
Amar é celebrar o instinto atemporal
como o vinho supera a taça de cristal
sob os sentidos infinitos dos amantes.
Se nada nesta vida dura para sempre,
melhor é repetir finita e eternamente
as utopias mais eternas dos instantes.
Afonso Estebanez
QUINTA ROSA DE SAROM
QUINTA ROSA DE SAROM
Não procurem a rosa pelo céu noturno
onde a luz das estrelas mais brilhantes
é mera imagem no horizonte taciturno
da miragem mais ilusória dos amantes.
As rosas são onipresentes no diuturno
exercício de amar no fio dos instantes.
As rosas nunca têm o espírito soturno
desses invernos já remotos e distantes.
No coração deserto as rosas não estão
e nem dos cânticos das filhas de Sião,
até o santuário edênico do Hermom...
E nem nas tendas amorosas da ilusão.
Mas é nas fendas do sagrado coração
que todo amor é uma Rosa de Sarom!
Afonso Estebanez
Não procurem a rosa pelo céu noturno
onde a luz das estrelas mais brilhantes
é mera imagem no horizonte taciturno
da miragem mais ilusória dos amantes.
As rosas são onipresentes no diuturno
exercício de amar no fio dos instantes.
As rosas nunca têm o espírito soturno
desses invernos já remotos e distantes.
No coração deserto as rosas não estão
e nem dos cânticos das filhas de Sião,
até o santuário edênico do Hermom...
E nem nas tendas amorosas da ilusão.
Mas é nas fendas do sagrado coração
que todo amor é uma Rosa de Sarom!
Afonso Estebanez
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