quarta-feira, 18 de março de 2009

Δάφνη

Δάφνη

Ah, se tu não podes ser amante
e de mim não podes ser mulher
nem o eterno cântico da amada,
sejas tu ao menos meu instante
de viver do encanto se eu puder
não viver sem precisar de nada.

Ai de mim, essa árvore sagrada
carregada de meus desenganos
sonhos falsos que eu até desejo
com a alma tão só desobrigada:
viver só o amor de muitos anos
vividos do veneno de teu beijo!

Ah, do amor ferido com doçura
feliz sensação é um não ter fim
a demência em fase de ternura
que dói e me cura e fica assim.
Ai de mim!...

Afonso Estebanez
(Dafne – poema de inspiração grega
dedicado à doce amiga Cida Barrêto)

segunda-feira, 16 de março de 2009

O QUE FICA PARA SEMPRE

O QUE FICA PARA SEMPRE

O QUE FICA PARA SEMPRE

O verso tem que ser um sofrimento
pela dor que se dói dentro do peito.
Ou não é verso... é só divertimento
de quem goza de causa sem efeito.

O sentido da flor é o encantamento
que doído de espinho sem despeito
é um doer sem sofrer padecimento
como os versos doídos num soneto.

Todo intento de amor morre cativo
de algum sonho vivido sem motivo
num futuro algemado no presente.

E amor é como pássaro na aurora:
canta e chora e dói e vai embora...
Mas o seu canto fica para sempre!

Afonso Estebanez
(Dedicado com todo o carinho
à poetisa brasileira Anna Orsi)

domingo, 15 de março de 2009

AMOR SEM CULPAS

AMOR SEM CULPAS

AMOR SEM CULPAS

Pensei já haver esquecido
ter sido eterno o momento
meu tempo de amor vivido
com o teu no pensamento.

Restou comigo um sentido
de ouvir a canção do vento
dizendo-me haver perdido
o amor na curva do tempo.

Mas tu fostes-me uma flor
e mesmo sem te dar nada
eu ganhei tuas desculpas.

Assim eu te amo sem dor:
de alma só, porém lavada
de todas aquelas culpas...

Afonso Estebanez
(Dedicado carinhosamente à amiga
Maria Augusta Maurício Cesar
– a nossa “Fada do Amor”)

sábado, 14 de março de 2009

POEMÍNIMIS

POEMÍNIMIS

POEMÍNIMIS

espinhos
de flores
carinhos
de dores

espinhos
de dores
carinhos
de flores

malditos
benditos
carinhos

benditos
malditos
espinhos


A. Estebanez

quinta-feira, 12 de março de 2009

FELIZ MESMO ASSIM...

FELIZ MESMO ASSIM...

FELIZ MESMO ASSIM...

Com a leveza da calma
do gesto breve da brisa
da profundeza da alma
ela acenou-me e sorriu.

E com o peso da calma
tão suave como a brisa
ela disse à minha alma
o que a alma não ouviu.

E se a alma nem ouviu,
com a leveza da calma
da profundeza da alma
ela acenou-me e partiu.

Ela disse alguma coisa
com a leveza da mente
parecendo certamente
o que dos anjos se diz.

Eu fiz o que não queria
ela fez o que nem quis.
Então hoje eu me diria:
por pouco não fui feliz...

Afonso Estebanez
(Poema dedicado à poetisa
brasileira Elischa Dewes]

PASTOREIO IV

PASTOREIO IV

PASTOREIO IV

Eu preciso apascentar os teus cabelos
e beijar com os lábios da brisa tua face
eu preciso iluminar o lado oculto da lua
de teu corpo e denunciar a descoberta
do mais fértil planeta do teu coração...

Edificar com a lua teu quarto de dormir
entre rosas e gérberas sobre o teu leito
de amanhecer com as canções do mar..

E vou permitir que a luz do sol se deite
como aurora cansada de amanhecer...
E, finalmente, vou esquecer de sonhar
que você foi o meu bom-dia prometido
como uma orquídea na beira do jardim
que foi cúmplice de meu sonho casual
despertado neste cafezinho da manhã
de nossa vida...

E nunca mais tu me dirás um até logo,
nem quando necessária a despedida...

Afonso Estebanez

terça-feira, 10 de março de 2009